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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Paixão que é Cega arde só que vê

        Iam me devorando aos poucos. A vinda das sombras dos moveis me indicou quanto tempo eu precisaria novamente para me esconder entre aqueles lençóis dobrados de esperança. E regressar os pensamentos ao emaranhado de sentimentos de solidão que minha alma cortava fundo para o consumo da felicidade ininteligível do nada. Eu havia perdido tanto sem perder nada. Um quarto. Um lençol. Um ou dois goles de vinho. Dez diálogos. Embriaguei-me em lembranças e sinestesia enquanto eu te perdia;  Me davam nós  no estômago enquanto eu te perdia; Suas mãos escorregavam das minhas e o vento dizia-me. "Deixe-a passar, do que vale quaisquer palavras quando as próprias já são verdades alheias.", a paixão empírica do homem  por sua própria odisseia de vida é gigante, mas quem é esse homem para mim? Levantei-me de súbito caminhei até a escrivania  apanhei a chave e  deitei novamente. Percorri o mesmo caminho por três ou quatro vezes - as memórias eram um labirinto - mas meu coração batia enfraquecendo-se. Seus últimos toques davam um ar de tristeza. A sala esvaziava, mas porque te tranquei a porta dos meus pensamentos, enchia-me de desamores, a sua presença me ardia. As sombras me faziam companhia até o ultimo feixe de luz esmaecer e eu ser engolido pela infalível ausência da compreensão.