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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Sombra do Candelabro


        Havia um candelabro negro na sala vazia - além de um punhado de memórias mofadas de outro dia. Subi as escadas e fumei todos os maços e segui para cama incrédulo e transbordando em ressaca. Separariam-se as almas sem consenso meu. Sim, havia um candelabro naquela noite; Não na mesma noite, mas em outra qualquer.
        Sentiu-se estômagos serem embrulhados como esplendidos presente de aniversário. Separariam-se mãos dadas. Sentei em silêncio, e pelo resto da vida, parecia justo. A tensão gélida subia enquanto a sala vazia enchia-se de cinzas.  Elas caiam sem parar.  Evacuei meus pensamentos, pois eram o seus que tomavam conta de mim; como uma doença que jazia e rastejava desde o candelabro até o pé da mesa apodrecida.  Havia um candelabro negro conjurando sombras sobre meus sentimentos mais temerosos. 
         Próximo as sombras dos teus pés me contorci. Não foram as placas de carro, nem o tráfico turbulento e muito menos os fogos de natal.  Foram as sombras que me levaram a não crer; não correr em alta velocidade; não prosseguir; não estacionar... nem nada do gênero. Cinzas caíam de todos os lugares enquanto o que eu pensava faiscava contra os fatos - por um segundo achei que era em minha cabeça. Mas estava sozinho naquela casa assombrada. 
        Levantei da cama e desci as escadas, já faziam anos, e a mesa e o candelabro ainda sofriam; sobrevivi em carne todos esses anos, pois não havia mente, sanidade ou a balança da vontade pela vida... Tanatus regiam meus instintos, sozinho. Meus olhos caíram submersos em inaptidão de qualquer outro movimento enquanto fitei a sala vazia. E por mais que tentasse esquecer, o velho candelabro, dia à dia, faria a sombra de minha  mulher pendurada ali permanecer ali em escuridão para todo sempre.