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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Conto sobre o menino de Turningham #3

        Seus olhos esbugalhados, sofredores de dores profundas. Pensei por um segundo que minha carne iria ser desviscerado pela criatura, pois estranhamente ela parecia me ver, troteando insanamente. Finalmente, quando havia pensado que este seria o meu famigerado fim, ele atravessou-me, choramingando, e logo atras dele uma machada o perseguia, acertando-lhe o encéfalo. Ele estava fugindo, mais deles fugiam... a floresta recuava as sombras que oprimiam seus restos. Um sentimento de total falta de esperança bateu-me. Ogros batucavam tambores carregando os esqueletos de minha família, cercando-me pouco a pouco, sem eu poder perceber como tudo acontecia. 
         Nesse momento, ela apareceu. Descendo de uma neblina negra do topo das árvores sobre um cavalo branco com asas... ofereceu sua mão. Era Liah. Movimentou delicadamente seu cetro, enquanto girava em torno de si mesma. Até que fez-se um feixe de luz. Durante 50 e poucos anos vivi ao lado dela como um aliado: caçando, lutando e tomando decisões... Instituiu-me como filho, após ter salvo minha vida, e para assim manter a minha inocência e verdadeira  natureza. Devotei lealdade seguindo suas condutas e valores e por assim dizer, tornou-se minha mãe, até o dia de sua morte. Sua morte causara a sombra das flores e os dia em que os rios não corriam; minutos que não passavam; as folhas dos Sobreiros não mexiam-se mais. Quando o pôr-do-sol chegava, a imagem de minha mãe sob a lápide sorria, mas só até o crepúsculo. Ansiava pela sua volta em Turninghan. Assim como a Fênix ressurge, minha mãe, do lago ao lado dos Sobreiros dourados, renasceria.



Livrando-me de você

          Ps: Aviso que este texto não tem o objetivo de agradar a ninguém, pelo contrario: o mais desagradável for, mais bem sucedido serei. Obrigado.

      Momento perfeito para escrever algo convincente. Afinal, será o único jeito de entreter os olhos e os ouvidos de alguém hoje, já que hoje o que me falta é aquele velho, verdadeiro, indiferente melhor amigo meu. Saudades do cara menos sociável da Terra.  Amizade de conversas filosóficas jogadas fora, noites adentro, cuspir a bile do dia a dia: o podre que habita nas entranhas de nossa mente. O tipo de amigo que não se importa caso você seja alguém na vida ou ninguém, sem  se importar se você é o ser mais imperfeito. Num mundo feito de coisas que se precisa dizer e redizer e se convencionar e utilizar o convencionado... ter um amigo desses é o mesmo que encontrar uma agulha no paleiro. Escrever, logo, torna-se minha nova estratégia de aproximação do amigo que já não converso nas noites vazias  substituídas por jogos de computador e pornografia online ( é basicamente isso que você leu: quem nunca acessou jogue a primeira tecla? Sim, tenho inclusive conta de usuário em 5 canais de pornôs. Adoro assistir, rever e criticar videos pornôs, sempre deixo comentários descritivos, principalmente quando o assunto é sexo oral. Digamos que seja meu hobby. Sou um joão-ninguém quando não estou no trabalho.. Ah.. não venha dizer que achou desnecessário. Pensei que você gostasse de mim. Sim. Esse sou eu também, quando não estou na sua frente explicando os paradigmas  da linguagem. E essas coisas boas que a vida nos proporciona, mas, como dizia algum de meus antepassados - pois deve ter vindo deles... ditados que falamos sem saber como chegaram em nossa sã consciência -"tem momento pra tudo".  Voltando ao meu amigo, saudades de choramingar meu discurso contra-cultural... imitar personagens, voar no pensamento e nas ínfimas probabilidades. Descompactar-me em discursos e detalhar-me para confundir-me, e me confundir para fazer-me entender: opiniões lógicas de cunho esquizofrênico (e skinhead, alguns julgariam, outros simplesmente não se importam, o que já me faz um pouco mais feliz.). Era um personagem, nada mais, nada menos, eu era alguém que não Eu, mas que fala em meu corpo, coisas que não teria culhões em praça pública (exceto se minha intenção fosse ser apedrejado em nome de Deus, do amor e da fada madrinha). Que se foda, que se exploda e que se desbrave o imoral e o que não é correto; Foda-se a diplomacia, a vergonha e o pudor; Que se vomite o primitivismo reprimido dos neandertais contemporâneos;Que matem, letargicamente, o amor, por  pelo menos 1 segundo; que exterminem a fé na prosperidade e na (in)volução coletiva por um segundo. Tanto faz como ela morra, pois paralelo ao conceito de Maquiavel sobre os fins justificarem os meios, seria muito otimismo conceder tamanha importância aos meios se qualquer evento é insignificante, e , ao final de tudo, irracional. Tanto faz como fé acabe morta. Se houver brutalidade ou for um simples estrangulamento; que as culturas adoeçam; e que o universo explique-se para tonar nossas vidas mais insignificantes e degeneradas, vazias; Que queimem em brasa a risada e o bom humor; Que se dane o "obrigado" e o "de nada". Era com esse amigo que eu transitava entre a ficção da insanidade e a estupidez cotidiana. Com ele eu matava pessoas em pensamentos, sem definir-me como um psicopata. Eu menos Outro. Sentindo-me a beira do abismo e sem esperança de melhoras, desprezando os princípios que condenam nossos instintos, quebrando o vitral de comportamento politicamente correto. Poderia ser um homem-bomba; extinguir e devorar animais por esporte; Sentir fora da pele (pois o cheiro pesteou-a com a vida que vivemos ou não) a invalidez de ser um ser social, patético. Parte de uma nação que se diz “democrática” visa visa a igualdade e liberdade de expressão: cambada de Papai Noeis enrustidos, enganando um ao outro a cada ano que passa. Corrompendo sua natureza em prol de um discurso evolutivo: "por um mundo melhor". Foda-se os ateus que dizem ser racionais também; Será mais engraçado e interessante ver a morte lenta desses; que dizem não acreditar, mas nasceram  fadados a crenças e atrofiacoes intelectuais; o mundo é, e sempre foi, uma cadeia alimentar. Ousaria com esse amigo pensar algo que nunca pensei, enquanto fosse possível se pensar. Um amigo para matar a boa conduta, o único que tive que  acobertou-me mesmo nos pensamentos sórdidos. Bastava a promessa de um café, um sofá, um DVD e os dois divagando  sobre Tudo ou basicamente  Nada. Não nasci para ser o rapaz cheio de qualidades, pagar as contas,  fazer parte de romance, deixo-o as vezes nos livros. Além disso, não nasci pra ser vilão... estupidez, sem perspectiva, instantâneo, feito Nissin Miojo, quem iria  escolher ser alguém que está predisposto a ser julgada pela maioria? Quero arrancar o nojo de quem lê, pode ser pela boca ou pelas ideias. Que me odeiem hoje e não voltem a me amar, e a quem permanecer, não serão agradecidos, pois não pedi para lerem até o final. Lembrem-se que avisei nas primeiras linhas. Caso tenha se sentido no lucro por ter ler um bom texto, parabéns, não muda nada pra mim. Achou o texto uma grande bosta que não tem nada a ver com quem escreveu-o pois sou uma pessoa boa? Número 1: dizem que pisar em merda traz sorte. Número 2: pra mim é claro que tanto faz.  Número 3: o presente site não é uma democracia. Enfim,  queria mais um café  e mais uma madrugada com meu amigo, que diversas vezes me auxiliou a enxergar com clareza aquilo que só os loucos sabem e o resto nunca viu e nem verá de vislumbre.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Conto sobre o menino de Turningham #2

             Certa noite, em um derrame de memórias insuportáveis, talvez tivesse sido a falta de oxigênio e a asma que tivessem dado-me a coragem devida, atravessei o castelo com os olhos carregados de angustia e saudade por quem se fora para não mais voltar. Havia passado apenas 3 meses desde o incidente o qual fizera a rainha de Turningham perder-se no eterno apagamento da vida, e meu coração não permitia-se conformar. 
         Embora não fosse minha mãe, minha gratidão pela vida daquela senhora era incredulamente absoluta. De uma forma não-verbal, ela dizia-me coisas sobre a vida, sem ao menos direcionar uma palavra se quer. Encontrou-me em uma das ribanceiras da floresta, por onde a lama persegue os rios e a natureza das coisas estão nelas mesmas, exilado de minha terra banhado em sangue, fugia de onde era dito ser minha terra, onde  eu havia caído a dezenas de anos atrás para que vivesse por no mínimo 500 anos, cuidando da floresta  que era parte de mim por natureza. No entanto,  sob os encantos do mesmo bruxo que matara meu pai chamado Fieran, criaturas sombrias haviam nos encontrado, dizimado quase completamente nossa história. 
            Primeiro, as luzes caíram do céu,  cruzando o coração de quase todos nós, achamos que fossem outro Rangers, estrelas caídas, como nós, mas eram flechas envenenadas do envelhecimento. Então, um encanto selou a clareira da floresta, um dos meus irmãos empurrou-me a tempo de salvar minha vida para fora da rede enfeitiçada. Eu sabia que não poderia atravessar os limites da floresta, mas assim foi. Vi todos dentro daquele feitiço dissecarem, sem eu poder reconhecer de onde o ódio emergia, não em mim. Corri em direção a floresta, mas minha garganta secava a cada minuto passado, e por isso começava a me arrastar, desviando das raízes e galhos ao afastar-me da orla, cheio de tristezas e mágoas. Em um átimo, num momento de descanso, luzes como tochas vertiginosamente aproximavam-se, e com elas grunhidos ignotos. Estava na ribanceira, sem perceber um palmo a minha frente. Todos barulhos da floresta não eram como sempre haviam sido. Estavam vazios e sem esperança. Escutei um gemido, e ao me virar subitamente, defrontei-me com a face de uma criatura voraz. Pelos sebosos e escuros, rangindo seus dentes e arfando ofegante. Era um dos lobisomens de Aquien, correndo em minha direção. A poucos metros de meu corpo franzino, determinando o possível fim de minha estória.




terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Conto sobre o menino de Turningham


                 Não havia mais ela naquele castelo em Turningham. E isso era triste. Ela havia partido junto com a alma das estatuas na torre em que costumava ficar apreciando a leitura de suas próprias linhas. Sorria sozinha de uma maneira pacifica. Perdida em tempo e pensamentos, enclausurada em um espaço irreal, que muitas vezes, nem eu, seu filho, conseguia alcançar. Pois de minha mãe, não esperava nada, apenas silencio, e isso fora sua lição mais valiosa. Ela, que após a antiga batalha de Condor, nas terras de Aquien, onde hoje ainda vivo, teria herdado através de um contrato feito por seus pais, um esposo, um homem bom, porem desacreditado sobre as coisas do amor, por sorte de minha mãe. Esse marido de minha mãe não a amara, mas sempre a defendera junto ao castelo e a vida suserana que vos fora concedida. Já meu pai havia morrido há muito, defendendo um pequeno alojamento de seu inimigo imortal, um bruxo maligno das fronteiras de Decário.  Liah, era uma menina como qualquer outra, embora fosse diferente de todas almas que já conheci. Em sua adolescência carregava seus cabelos volumosos ruivos, que ao vento pareciam movimentar-se como membros, emitindo voz e vida própria, dialogando com a luz das coisas e com a escuridão dessas mesmas coisas também. Costumava adentrar as florestas de Turningham com um punhado de coragem, desbravando seus mistérios divididos em sete, esclarecidos postumamente em uma carta, triste e esmeralda, de tecido fino, com uma validade curta, que só revelara na déspota de seus centenários anos. Sua benção fora sempre um refúgio do qual me abriguei durante os dias de gratidão que devotei ao ser mais doce que já conheci.  
                   Em uma das noites de divagação, em busca de equilíbrio humano, me encontrava deitado sobre a cama. E lembrei-me sobre o pergaminho. Acendi um candelabro com papel em chamas ao berço da cama. Voltei a compostura, enquanto ajustava meus quadris para sentado ler o antigo papel sedoso que minha querida mãe deixara em baixo de um jarro de tulipas, as suas favoritas... foi quando suspirei, alertando-me que sua ausência ainda ardia presente desolando meu coração quase-humano.