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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Dialogismo ( c/ a existência )

         Vos tentais me acordar para que desenhasse paz entre vossa emoção. Se eu realmente existo, é uma pergunta sem respostas. E se eu realmente existir, em vos residais quem sois e todas dúvidas de quem devo ser. Embora meus pensamentos sejam mais nítidos do que vosso, - aqui percebe-se minha divindade: meu viés é abrangente e nele eu vejo que tudo está conectado e toda energia é migratória, procurando, incessantemente,  por equilíbrio e paz.- eu continuo duvidando de minha perfeição estereotipada e da certeza que verte da intrínseca razão desse mundo. Um sistema que falha em sua própria natureza; a fraqueza do espírito humano. A razão que ruí de seus malfeitos pilares. Agora entendo o que voz tentais me dizer. O quanto sofreste com tua sanidade, enquanto dentro de ti jazia o medo e as tuas emoções batalhando, impacientemente, pelo mero resquício de amor. Não preocupais Vincent, pois esse mundo e você, simplesmente, não foram feitos um para o outro. Sente-se, reze e escute meu conto de fadas até que durmas profundamente, coberto de glória.
        

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Prosa poética

         "Por favor, entregue o vazio de volta ao toque de minhas mãos."  Ouvi minha outra voz dizer.         
          Eu ainda sinto a chuva cair lá fora, que demora, descompassada, desliza na beirada do alpendre da sacada, distraida e destapada, coitada, sentindo o colírio das nuvens em sua superfície profunda. A chuva gélida do frio danado dos Pampas do sul: elas desciam,  as gotas, frívolas, sonoras como metal. De pouco a pouco preenchendo as gotas finais em minha piscina, de cima, eu via uma rima e um remo, pela fresta da porta, onde a ponte entre eu e o fora reside debalde. Em mim, em vão, ficou tudo. Quando, desde muito tempo, havia me acostumado com o nada. Em meus momentos escuros era tudo névoas e muros: concretos imaturos, sem forma ou conteúdo.
        Eu chorava pelo desconhecido e o imensurável mistério de cima das núvens - meus cobertores e  refúgios maniáticos. Via os algodãos se enroscarem em meus dedos e pensava que não haveria forma de não pensar; e o vazio nunca iria encontrar. "Com dois de mim, eu lá e eu cá." para mim resmunguei. Chorei até meu Outro naufragar. Como um navio afunda, num fundo escuro de um tenebroso mar. Retorcer as lágrimas ou desatar a chorar.
        Ultrapassaram as gotas do céu até a terra, das nuvens ao sobrado, na sacada do 4º andar. Eu via a chuva caindo a tarde toda, esperando o inverno passar. Descontente por não estar em pleno descontentamento recomecei a pensar,  num lugar, especialmente dentro de mim, em que em mim não há ninguem lá. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Leftovers

      Mesmo que ninguém veja, meu espirito se despedaça e se rasga como pedaço de papel. Sinto-me encurralado em um beco sem saída, ou então, sufocado como se alguem pressionasse suas mãos contra meu pescoço. Quando tudo que tenho é nada, me entrego a morte, sem culpa por nada apostar, sem nada a perder. Minha vida se encontra retalhada em peque nos restos jogados pelo chão da sala depois de uma noite de cerveja dobrada. Ainda penso que isso acontece porque nunca te deixei ir. Porque nunca acreditei que pudesses me deixar. E tu me deixou. Sem olhos, sem pele, sem coração. Sem nem ao menos espirito.  E em algum lugar, um resquício de luz tenta reagir, dizendo incessantemente "eu te amo".


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Abertura

        E eu vi um ponto de interrogação pairando sobre cada palavra que saia de tua boca. E, por isso, fechei a porta. Precisava de um tempo para pensar. Não quis saber se iria chover ou não, mas sei que haviam nuvens passando. Deixei as hesitações e, logo, sorri. Preciso de mais paciência, pensei. Como meu pai disse "tudo tem seu tempo e lugar". Era melhor sorrir, pois era o que eu sentia no momento, então, sorri e te abraçei. Deixei minha porta entreaberta, caso tu quizesses entrar ou sair, e não tenho pretensão de fechá-la - e isso faz toda diferença.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Nature

you confess
you say these words to rest
in peace with every piece that in you hast fed
but no lying to me
and no regret
if those are your feelings
there right away they might fit to me
passively agressive,
naturally
cutting my sking
piercing my bones
no bloodshed
no swords
just words in a song

Supress

It's a pity
It's a pity you are ashamed for every sin you committed
when there is no sin to life
but sin to words
the straight point has never been so bend
and now lord
where shall my behavior rest
pity of me, pity of yourself
we are animals that search for meaning in a bar jails cosmos

Insecureness

There is nothing more to be said
When the silence writes the lines with its muteness
There is nothing more to be done
When the fate is an arrow pointing to what will become
There is nothing more to think about
When everything seems so far numb
There is life and death in the midst path
waiting for live on