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terça-feira, 10 de maio de 2011

Imprório: a lei

       Não tenha raiva de mim porque te matei. E antes foras meu amor. Por que a lei tem que mudar?
       Só te dei a resposta pras perguntas que procuravas: uma taça, um conhaque, um vinho e um chocolate. Enquanto isso, num cenário, subverso resolvi ir te buscar:  te vi beijando o céu pela boca dela menina da beira do mar, devagar, litiginosamente, movendo os lábios serpenteantes, em seus olhos fogos de luz estouravam sem parar. Até o taxi que chegava de carona lhes levar. Engrenando as mentiras, no telefone, sem receio d'eu te achar. Mas do apartamento ao lado, pude a noite te fitar. Semi-nua com a nua da Luana na varanda do Motel Paraná. Quem um dia então dirá?
      Talvez nunca sarei a alma, talvez nunca sarará. Por que a Luana de lua maltina, resolvera se casar? Com minha almada no autar, com meu amor em triste estar, queria só saber porquê a lei um dia foi mudar?

Cruelty from a burial view

         Basically,  I'm still dreaming a cruel reality in which smiling is no longer part of our world, and our world is as imaginary as our souls. In my world  even the plastic trees are dying out fed by our completely absence. My world fulfilled with emptiness, represents with nothing the weight of everything above our shoulders. So much so, my mouth is soaked up in soil and ground whereas my head flies round above beyond the sky. Therefore, I'm still dreaming a cruel reality.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Alto

         Um desenho jogado ao canto da tela de um pássaro chama minha atenção e causa coisas. Escrever sobre o que se sente está irrevogavelmente associado com quem você é, e por isso, a necessidade desse resgate da reflexão sobre o pensamento que me constroi até o momento presente, além de descrever sutil e criticamente meus movimentos. Pensamento que quando alça voo, personifica-se em um pássaro cinza de asas azuis alongadas. Pintado em minha varanda, atrás de um cabo de vassoura. Suas penas azuis, seu bico agudo de 15 centimetros e olhos obtusos de curiosidade, agitam-se, planando sobre as rapinas. Livre. Sem ao menos saber o que procurar.


     

Pessoalidade

    
     Ao que me parece racional e lógico, sou a representação perfeita da imperfeição e de uma falha irremediável em encaixes, tanto do ponto de vista do padrão emocional quanto ao paradigma da formalidade. Minha justificativa mais sensata seria a incapacidade de apreender as bases do que já foi comportalmente representado e significado. Essa falha acaba por esculpir-me desastrosamente, projetando um alguem inconsequente, estranho,  mongolóide,  irresponsável, trágico, incoerente, excentrico. Embora seja tudo isso, talvez, a definitiva caracterização própriamente minha sobre mim mesmo, ou seja, apenas letras sem valor, palavras sem sílabas, orações sem virgula, alguem sem alma, ainda caio num abismo profundo a procura de quem sou eu ou você, e todo o resto os motivos da sua ausência. 

     

Orgulho e vergonha

    Ainda que relute na crença de que existe um novo Eu em mim, e que tudo que passei foi a soma de quem hoje sou em minha superfície, a verdade prevalece vencedora em meus momentos mais íntimos, solitários e vulneráveis. Toda minha complexidade torna-me pateticamente vulnerável e inquieto. E se um dia a onda do breu das memórias tapar meus pensamentos e desmembrar meu coração? A mesma luta, por acaso, persistiria até a ultima respiração?