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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Por onde andaras?

      Era primavera, mas não a primeira, quem sabe a segunda, ou talvez a terceira. O tempo passara, voava tão rapido, que eu nem notara. Talvez já houvesse perdido as contas de quantas vezes bati minhas asas. E no mesmo vale, no mesmo bosque, como de costume, entrara. Procurando pela flor que um dia amara. Não era aquela flor que me encantara. Desabrochara levemente. Sutilmente inclinara suas petalas em minha direção. Deixara-me cheira-la, tocá-la com meus dedos miudo, frageis e invisiveis. Me acomodara em sua textura suave, como um abraço após uma estação apressada, como o silêncio do céu-estrelado. Aquela flor que com seu néctar me alimentara, me perfumara e me encheira de histórias. Me levara para brincar e me tocara com seu jeito: me fizera rir e tambem chorar. Não era aquela flor, a mesma que sentira dor, quando eu senti dor. Não era mesma flor das primaveiras que eu visitara. Talvez nem mesmo Eu, nem eu era o beija-flor.