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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sono da alma é dormir você

É quando te vejo no âmago de minhas imaginações,
que acalento minha alma e durmo em paz com você.
Mesmo que não queira, já quer ser parte de mim,
porque é por mim que queima em fulgor nos desejos insólitos.

Não hesite, pense que sou você e você é eu.
Não sou tao diferente assim pra você ter medo de mim.
Pois é, e o que podemos fazer se:
eu me vejo em você; e voce se vê em mim.

Eu dormirei assim, pensando duas vezes em mim.
viajando nos desenhos do pensamento
das palavras que eu vi e do que eu escrevi pra você
Eu dormirei assim, ecoando você dentro de mim

Abraçado,
escaldado de pensamentos;
debochado...;
debruçado em ideias sobre você:
sonhando acordado, dormindo e vivendo, Eu hoje você.

An attempt to define simple things

The true suffering resists against fantasy, piercing through reality; increased losses converted to tears. The hope, a rational and emotive aspect of human beings, dies when life, its content, dies.
I am bored of being man. We can always decorate the houses, make the beauty arise. Even when no beauty can be seen; we create beauty to be seen by our eyes.
Calculating the parameters, minus the leftover of wasting thoughts:
 nothing special defines life, nor love.-
 nothing special lies in life, nor love -
 Human beings that make them a big thing.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Viagem ao centro

           Sentado num banco qualquer no ônibus do meu dia-a-dia, me veio a cabeça um pensamento, a principio insensato, de que as coisas devem ser simples e simples devem ser mantidas.
         Era uma hora de viagem até o centro da cidade, onde a vida começaria. As pessoas tropeçariam uma nas outras atrasadas para o trabalho, os sinais piscariam entre o verde, o amarelo e o vermelho incessantemente. Uma tarde de fumaça, murmúrios e barulhos incansáveis. Então, bateu-me aquele vazio esquisito, uma leve culpa da consciência de que haviam muitas vidas perdendo algo essencial no meio do caminho, no meio dessa viagem que é a vida. Seria muito poder respirar? Poder sair do ônibus, sentar-me ao lado de um animal qualquer, sob a sombra de uma árvore e  olhar a tarde passar como quem não possui pensamentos difíceis e uma vida complicada.  
            Uma vontade imensa de ficar ali no desleixo me agarrou de surpresa o peito. Gradualmente, ao passo que a viagem se concluía e eu ficava nesse ônibus, meu ar escapava pra fora de meu corpo; meus olhos viscosos faziam de minha visão um belo borrão de cores da cor de mel que se misturavam; meus braços ficavam molengas e meus nervos tremiam, uma energia verde atravessava minha nuca e as luzes de dentro de cada um apagavam-se, até sentir-me o único, sozinho, em um trem inabitado.
         A porta, então, abriu. Um homem de cartola em trajes formais entrou e sentou-se em minha frente. Senti em meu pulso um batimento crescer, era como se meu coração tivesse se deslocado. Ele tirou a cartola e disse "Eu vim pela música. Ouvi vindo de seu coração. Tão ritmada e solitária. Você canta uma das músicas mais tristes que eu já escutei dentro de você." Minha testa suava e meu rosto respingava suor. "Você acha que é isso? É a sua hora? (...) Mas você tem tantos amigos e amor em seu coração tambem.(...) Talvez seu coração tenha razão, sua alma sufocou." Meu peito esquentou-se como em um abraço profundo. "Você é tão bonito por dentro. Não se preocupe, não há dor aqui, há paz suficiente pra sua alma acalmar-se e recuperar as energias. Quem sabe você volta para uma estrela maior e mais forte da próxima vez?" (...) 
       Ao acordar da viagem, senti uma lágrima escorrer em minha bochecha. No lugar do vazio, penetrou um acumulo de respostas, desorganizadas, que se traduziam naquele momento em:  perto da dor da perda e da morte, tudo parecia ser tão fácil -  para todos que já perderam algo na vida.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Acreditar

        Uma estrada chegou ao fim. Mais um ciclo se encerrou. Como uma série que chega em seu último episódio já prenunciado; como aquele personagem que temos afeição, que some sem deixar vestígios e nem motivos de sua partida. Um caminho de idas e vindas, subidas e descidas em que muitos despencaram, estagnaram-se e ficaram pra trás, em lugares hoje inexistentes, que já não fazem parte de nossas vidas. 
        Conforme chegamos a esse ponto limite do caminho, percebemos como magia que existe um segmento, uma ramificação de diversos outros pequenos caminhos brotando ao passo que os olhos interessam-se pelos mesmos nunca enxergados. Nesses caminhos, todos personagens da história de cada um de nós aplaudem-nos ao passarmos, e os segundos passam mais rápido, os dias voam, e os anos deslizam sobre nossa pele. Marcando nossa idade. Os sorrisos invadem nossos corações a cada novo caminho e até a triste certeza de que a morte é injusta, vai embora. E então, voamos para a nuvem mais alta. Banhamos-nos da chuva e descemos pelo arco-iris como escorregador de criança. Esquecemos de amarrar os sapatos, as datas de aniversário, desaprendemos a comer; esquecemos do ontem, do futuro e vivemos, finalmente, o presente. E mesmo quando pensamos ter encontrado o fim, uma luz sempre condena a entrada de um novo cosmos de ideias.
        Por isso, a conclusão é inexistente, ilógica e indisciplinada, já que as ideias são como um vírus que muta-se incontrolavelmente, tomando várias formas, sem uma definição final para remediar os fatos. Bem, já estamos crescidos demais pra dizermos que já entendemos de tudo, porque o "tudo" ainda não pode ser contabilizado, nem mesmo racionalizado. E a verdade mais inata de nossos corações, reside em que não importa quantas forem as portas e os caminhos, a mudança que for... ao passar dos anos, o que fica é sempre o que é mais essencial: o amor no que acreditamos ser o certo, respeitoso e ético. E essa é a lição dos caminhos: acreditar sempre no melhor.