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sexta-feira, 25 de março de 2011

Organização Urbana

          "Não era a hora das horas passarem?" enquanto no encosto da janela do ônibus debruçava-se.  Ah, descanso. A solidão da caixa que se abre, livre como uma mola salta ao céu azul. De cinza e branco, pinta genialmente a desabrigada felicidade - que agora já não estava  mais só, arrastando-se como um borrão de nuvem passageira. Era um momento coletivo: a felicidade, o silêncio das vozes e ele. Em um solavanco, percebeu tristemente que havia chegado em casa. Seus tremores internos começavam a balançar, e não eram culpa da magnitude do reflexo do terremoto de Tokyo. Imerso em uma vida que não era difícil, e nem não era fácil, era nada - um outro nível de complexidade. de usinas de sentimentos prestes a explodir irradiante tornava-se chernobyl e kaboom. Sem tiros nem nada, tão pouco sua guerra era armada como a do Vietnã. Estava de mãos enfiadas no bolso, olhos pesados, trabalhando como escravo para sustentar  o sistema de sua colônia: sua casa, outras vidas, não a sua. Tinha 9 familiares, e por isso, sentia-se cansado e só. E amanhã, seria um outro dia, apenas outro dia.

Rafael del Siro: a Áura do Eu 1

           Aconteceu em meados de 2015, na Universidade Nacional de Costa Rica. Aquele dia, na sala, a pouca iluminação estava suspensa sob nossas cabeças. Éramos dois, ou talvez fôssemos mais. Meus olhos comprimidos como remédios, instantâneamente inofensivos, fitavam sua silhueta. Não era simplesmente a diagnose perfeita, ainda que tudo estivesse posicionado de forma estonteadora. Em adjetivos desmedidos poderia prever a nota - que aqui elaboro - contudo não foi a superfície que motivou o devaneio incrédulo o qual mergulhei profundamente. A despeito das minuciosas contradições mundanas que aquele corpo projetava, a razão da colheita seletiva de palavras fora, indubitavelmente, outra. Pude enxergar mediante meus olhos, algo inaceitável e não-cético. Meus aparelhos sensoriais detectaram ao entorno de suas costas uma luz branca  brilhava indisplicente, planando pelo seu braço como se estivesse contornando suas laterais até percorrer os ombros e encontrar sua cabeça. A sinergia do movimento daquela luz flamejante, flutuava em equilíbrio com as expressões do rosto dela: as duas pareciam estar executando através de um mutualismo cauteloso, cada  articulação física e intelectual, de forma que pareciam ser essenciais uma a outra. O nervosismo invadiu minhas mãos, e o tick com a ponta  caneta era inevitável. "Algum problema Rafael?" ela interrompeu a aula. Permaneci mudo e inerte pelos 43 minutos que sobravam da aula. Primeiro, porque dependia dela para poder encerrar minha tese. Segundo, porque estava em choque pela razão de presenciar o absurdo. A verdade sobre o que aconteceu não parece ser convincente. Querendo, ou não, eu consigo ver coisas em algumas pessoas que qualquer um não consegue. A questão é que pensar sobre isso trouxe-me até os livros. Não obstante, situo-me em muitas prateleiras e sítios de conteúdos paranormais - o que não é crível como categoria humana.  

 (part 1)

Rafael del Siro: a Áura do Eu 2

       Dois anos depois em uma audiência para a publicação de um livro em Santa Barbara. Meu segundo tropeço ao vento na área da não normalidade ocorreu através do contato com uma das pessoas a qual a energia habitava. Dessa vez a luz possuía uma entonação mais amarelada, e faiscante, igual a fagulhas de eletricidade. No entanto, não flutuava sob a cabeça e os ombros da garotas, mas sim compelida  nas mãos da garota. Ao me aproximar, minha curiosidade, simplesmente, atravessou como um arpão meus neurônios, então, segurei suas mãos. Rapidamente, pude sentir no palato o gosto de maçãs e de alguma forma, a textura áspera de folhas e plantas.  
         Alguns anos seguintes, após pensar e repensar as estranhas situações vigentes de minha vida.Visitei com minha esposa estadunidense Linda Wellstrong, uma cerimônia de arte, na Florida. Inesperadamente, encontrei  Bianca, a garota da audiência de Santa Barbara, agora em seus plenos 24 anos. Descobri aquele dia que ela havia se tornado uma grande artista e que costumava pintar quadros e criar obras que envolviam as maçãs e outros vegetais. Ao longo dos anos, perguntei-me diversas vezes quem eram aquelas pessoas que haviam cruzado meu caminho e por quê eram diferente. Mas os caminhos de meu raciocínio levavam a respostas erradas, as quais não eram guiadas pela razão, mas sim sobre o que a cultura ocidental havia implantado em meu cérebro a respeito de religião, crenças, mitos e outras ideologias pagãs. A verdade é que  este enigma não será resolvido por mim, nem por ninguém, pois a vida é um prazo curto sobre o conhecer. E o caminho mais evidente, é certamente o mais duvidoso e o menos certeiro. Certeza, é necessária quando sob  medida. Enquanto o caminho do verdadeiro conhecimento, é serpeante. Um processo que começa lá fora, mas termina em sí.

(part2)

Rafael del Siro: a Áura do Eu 3

      Hoje, depois de ter partido-me em mais de 1 bilhão de moléculas por diversas vezes, e ter retornado a origem através da máquina de Levot, criada em 2041, a qual concedeu-me a possível transição temporal. Carrego a pergunta ecoando:  se não é o racional, o que é imaginação? se não são os outros, o que sou eu? 


O que foi não mais existe; existe exatamente tão pouco quanto aquilo que nunca foi. Mas tudo que existe, no próximo momento, já foi. Consequentemente, algo pertencente ao presente, independentemente de quão fútil possa ser, é superior a algo importante pertencente ao passado; isso porque o primeiro é uma realidade, e está para o último como algo está para nada.

sábado, 5 de março de 2011

Transação passageira

         A travessia é singela e sutil, como se você estivesse em um meio fio, e caso desse o passo errado tudo caísse por agua abaixo.É claro que eu fui na direção oposta, pois essa é minha natureza. Uma vez que tudo o que acontece é culpa de minha distinta forma de pensar: a verdade é que gosto de criar crises sem sentido, problematizar uma simples resposta, discordar do que já se foi aceito e indagar se isso seria o mais adequado em determinado momento.  Às vezes ficava fadigado, às vezes se não sou coerente arruino meu dia.  Mas foi a direção menos caminhada que trilhei. E sem medo do que poderia enfrentar, viajei. Deixei pra traz tv, radio, cama, armário, fogão e geladeira, deixa pra traz pai, mãe, irmã e tia. E deixei, acima de tudo, um eu que hoje apenas relembro como um flash, quem nem eu sou eu. Passei por porto, torres, blumenau e bombinhas, atravessei o sul, e no centro encontrei minha rotina. Nem de vez em quando eu ligava pra saber como outrora eu estava. Nada do que eu lembrava era o suficiente para o pouco de vontade que eu tinha de ficar. Mas troquei de nome, fui em direção oposta. De forma nenhuma realizo ações exageradas ainda mais aquelas de grandes proporções. De Triste virei Alegre, de oi virei bom dia. Nada de mudanças paradoxais. É que de tudo que eu tinha vivido, sintia como um sopro o alçar dos braços de uma noite vazia. E tudo já não era tristeza, mas a forma conformada equivalente ao passar dos tempos acompanhando as inquietudes de cada dia.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Definição

A vida é muito mais complexa do que qualquer linguagem; por mais profundo que eu possa ser. E, a luta do artista é chegar o mais próximo da revelação dessa profundidade.