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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Escrever

       Quando trata-se de transpor as idéias em um papel, a reflexão é a conseqüência de palavra por palavra, frase por frase, período por período, oração por oração, que são acorrentadas no objetivo de entender o próprio pensamento. Escrever torna-se, então, uma ferramenta capaz de projetar o sujeito que produz em níveis de compreensão sobre os processos que formam as idéias do seu autor.
        Mesmo quando nos sentimos vazios, ou sem argumentos para representar em textos alguma idéia, sempre contamos com a cognição e o entendimento básico que já possuímos de mundo, ou seja, as noções construídas a partir de nossas respectivas realidades, proporcionando assim, uma atividade de re-pensar sobre aquilo que já pensamos e re-significar tudo o que tínhamos por definido. Neste caso, proveniente de nossos textos e daquilo que escrevemos, resulta nossa própria e única colaboração ao mundo das idéias, o que em outras palavras poderia ser descrito como a criticidade e a peculiaridade da visão que se estabelece sobre o diferente.
        Embora o procedimento da escrita lide, em boa parte, com o abstrato mundo das idéias, - e daí é criado uma barreira e um monstro chamado prática de leitura e prática de escrita nos inquietos - temos em vista que ela também tem o caráter da mimese. Em outras palavras, existe por trás de qualquer texto uma re-leitura da realidade ou de uma situação ou ficção - atende-se aí as concepções que revolvem sobre subjetividade pessoal e coletiva - já pensada. O que se sabe e o que é passível de ser visto, é um ato juvenil. Uma reciclagem de conceitos e o esculpir sobre o que já havia sido considerado, outrora, obra prima.
        Escrever sobre escrever é indiscutivelmente pensar sobre a genesis de nosso ato propriamente dito. Visualizar mais nitidamente o por quê da necessidade humana de recorrer às práticas de escrita, e a relação intrínseca entre o pensamento e a reflexão. Uma ação de se auto-reconhecer, um jogo dos sete erros em frente ao espelho que transita entre a teoria e a prática. É deixar a ociosidade de lado para falar sobre tudo, tudo aquilo que faz de nós aquilo que somos ou aquilo que deixamos de ser, ou então, o simples reflexo do que acreditamos ou deixamos de acreditar.

Ser humano

         "Provavelmente", "ser" "humano" é estar trancafiado em mais um daqueles pesadelos que tu tentas fugir correndo mas não sai do lugar, aquele que tu gritas seco e mesmo assim tua voz não transcende o silêncio por mais que se esforce. Ou então sujeito aquele pesadelo repentino que te arrasta para uma queda interminável na qual tenta se segurar em algo mas não tem força pois seus braços estão cansados e seu corpo pesado. Ou por último, afogado no mais temeroso e também o mais nobre dos sonhos ruins: o da onda. Tu sabes o que vai acontecer, te sentes acuado e sem esperança, e por isso tu simplesmente desiste de lutar uma batalha perdida. Te situas em algum lugar com uma visão privilegiada e espera que a onda lave toda as coisas de ti: as boas e as ruins.
         Provavelmente, embarcastes naquelas situações que tu sentes como se fosse o nada. Deixaste a água levar todas tuas memórias e sentimentos que resgatassem tuas concepções de humano, certo e errado. E percebestes, só assim, que apenas foi o que tu mesmo criastes. Nesta seqüência, tu concluístes que não reconheces mais os teus próprios fragmentos submersos na água à luz da lua. E então tu te conformou. E aceitou.
        Humano. Cruzou alguma vez em teu pensamento que tu ages contra esse desaparecimento. Resistes a essa fragmentação. Negas a morte. Mentes para a vida. Driblas a ti mesmo e retorna a ti como um peão que gira sob seu próprio eixo? A cada mau dia, tu respondes bom dia e ainda te espantas por leres a estranha locução mau dia. Tu dás nome a pessoas e a coisas, tu te reafirmas. Comemoras menos um ano de vida. Sofres porque amava alguém que não amou... a ti. Às vezes (quase sempre) te olhas no espelho e não vês o que precisas. O nada. O vazio. O abstrato. O impossível. E não usas teu maior poder, tua qualidade genuína: a habilidade de ler tudo das mais diversas maneiras.
        Provavelmente, todas as partes de ti ficaram para traz. E haviam provas de que um dia elas te pertenceram e que tudo fora real. Poderias existir em um mundo inexistente em um outro estado, de outra forma, com outro significado, com outros princípios; outros surrealismos reais, sem conexões e sem sentido. E, sim, estar feito de incertezas, queridas agonias, urgências e medos, como os tais pesadelos; estar (in)feliz por estar infeliz. Sobre qualquer circunstância ser humano é ser como és. Provavelmente.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quimera

Quimera. Tuas palavras são restos.
Elas me dariam um livro.
Teu nome seria um dos personagens.
Tentaria te trazer para um mundo que só você existe - já seria o suficiente.

Se por acaso tu lembrares de mim em um dia qualquer.
Sentir a vida em um lugar bem distante, ouvir a música e tocar as ondas. - já é o suficiente.

Teus anseios me preocupam e fazem meu corpo ficar trêmulo.
Mesmo em silêncio tu falas mil palavras.
Tudo passa enquanto estás na estação e teus braços ainda estão abertos;
tudo passa em todos os lados enquanto tu estás na estação;
tudo passa aqui;
e tudo
é nada.

Tu encontraste a chave para a porta de meu apartamento, sem ao menos perguntar onde.
Tuas fotos estão guardadas na gaveta do armário da sala.
Tua música favorita na pasta saudades, no desktop.

Não tenho frio, porque uma vez foste sol.
Tuas cartas estão, ainda, sobre o bidê do quarto.
E por entre as fendas da janela tu vens.
como fios de luz, suaves e fracos, no início.
Que aos poucos tornam-se feixes maiores, iluminando meu rosto.
E não há tempo.

Não há tempo.
Nunca houve. Nosso tempo nem é tempo.
Tempo é biológico, é uma questão de ponto de vista.
Teu tempo é eterno e efêmero.
E por isso eu digo,
não há tempo.

Tuas palavras quando se juntam formam lindas frases nunca feitas.
Tuas mãos macias e teu abraço cuidadoso e sutil
me conferem o suicídio dessa lembrança,
mas nada de piegas, nada de tudo.

Aposto em problemas não resolvidos
aposto em tua natureza ambígua
tua movimentação voluptuosa
e tua personalidade inquieta e instável
teu âmago enfadado de sonhos altos demais para qualquer um alcançar.
Aposto nas macieiras de sábado e de um dia no campo;
Aposto nas cartas e na tuas frases lindas que derivam de tuas primeiras palavras.
- Apostar é jogar. Jogar é a abertura de uma simplíssima oportunidade de perda.
Aposto em perder. Se eu perder não vai soar tão ruim. -
Ilusão. Ter-te-ei acompanhada até meu leito de morte com plena felicidade de minha ida.
Afinal, tudo passa, não passa?

Sideral


A aparência do telescópio era anciã. Estava coberto de pó e seu tripé bastante enferrujado. Podia ver através de seus olhos bondosos uma nova versão do vazio que representa nossa Via Lactea. Naquela noite, os planetas estavam desalinhados e os cometas traçavam linhas alaranjadas por traz do anel de saturno. Entre as estrelas havia uma nevoa abaçanada emitindo um sentimento amargo, que exprimia uma mistura de desilusão e misticismo. Por ventura desses mesmos olhos bondosos, pôde ser avistado um aeróstato suspenso no infinito... perdido, flutuante, sozinho, sem ninguém, sem ser cuidado. Foi ai que fechei o livro.

sábado, 24 de julho de 2010

Condo 2.


Lembra que eu jurei não amar?
O condomínio nunca foi o mesmo.

Sim. Eu não amei mais, me tornei uma lenda das baladas. Todas as noites eu chegava em casa depois de muita bebida com alguém. Uma noite de sexo e prazer. Só por uma noite. No outro dia, na maioria das vezes, tinha que perguntar o nome de quem estava ali. Já nem lembrava, não importava.
Além de minha falta de memória absoluta, tem também minha irmã que se mudou para o apartamento do fim do corredor - que perturba de vez em quando..
Desde então, não acredito mais em amor. Mas o motivo vem logo depois.
Lembra do casal que eu costumava assistir da janela do meu apartamento há 5 anos atrás? Os românticos vizinhos. A resposta de um relacionamento perfeito?
Eles ainda moram no condomínio. Bom, na verdade não quero entregar de bandeja o final da história. Existe uma série de coisas que precisa-se falar antes que julguem qualquer um dos dois ou a mim:
O nome dele era Daniel e o dela é Julia. Ambos se conheceram em meados de 90, eram colegas de aula. Estudaram juntos até concluir o colegial. E depois foram morar juntos na capital: Porto Alegre. Alugaram o próprio apartamento e começaram a viver a linda vida de casal juntos. Aparentemente tudo estava bem até completarem 2 anos vivendo juntos. As coisas mudaram um pouco a partir daí. Eu lembro que eram como unha e carne e pareciam muito unidos. Eram os defensores do brasão do amor. Só aparentemente.
Acontece que ambos eram um pouco diferentes em alguns aspectos extremamente significativos:
Daniel não era organizado, Julia mantinha sempre a toalha no banheiro. As cuecas sempre ficavam em cima do bidê. E o pente sempre ficava com os cabelos da Julia. Ela era perfeccionista, Daniel não sabia o que isso significava. Ele era romântico, Julia um pouco racional, as vezes fria. Daniel de puritano, tornou-se sincero e de sincero tornou-se qualquer um. Daniel queria sexo e Julia estava cansada do trabalho. Daniel estava com dor de cabeça e Julia dorme com a TV ligada. Enfim, existiam certas divergências, na verdade.
Bom, nunca acreditei em amor até algum momento.
Meu nome é Pedro. Lembra pedra. Pedro coração de pedra. Talvez minha mãe previu tudo isso. Quem sabe?
Amor pra mim era algo abstrato. Como nos confirma meu amigo Aurélio. Não conseguiria transcrevê-lo pra vida. Até encontrar Karina.
Karina estava em um desses ônibus cheios na vinda da faculdade. Ela estava do meu lado, me mantive imóvel. Olhava para ela através do espelho. Percebi que ela não me olhava.
Hmm, pra mim Amor era nada do nada. Era como a janela e o espelho, transparecendo apenas reflexos e traços de uma existência que não poderia ser atingida, alcançada.
No entanto, ela perguntou as horas. E eu comentei sobre a temperatura. Ela perguntou o que eu cursava e eu perguntei o que ela fazia. Eu perguntei onde ela morava. Ela me disse que morava perto de onde eu descia. Ela tinha telefone. Eu não. - mas anotei em um bloco de notas que ficava no bolso de minha pasta.
A partir dai tudo foi inquestionavelmente inacreditável. Como num conto de fadas.
E então, uma chama, flamejando, uma faísca se acendeu dentro do coração de gelo, derretendo-o em lágrimas após 2 anos de namoro. Amor? Amor que morre?
Ok. "Senta lá Claudia" ( uma expressão que uso pra alguém que conta história pra boi dormir). Como resultado, fiquei meio ano desolado.
Meus pais se mudaram e deixaram o apartamento pra mim e minha irmã, que em seguida resolveu se mudar para o tão- aclamado "apartamento do fim do corredor".
Foi aí que através de um impulso juvenil pós-traumático e das teorias de Waldo Emmerson "você pode, você consegue" ( os american values mesmo) acabei por tornar-me "qualquer um", assim como Daniel (ex-namorado de Julia - caso não estejam prestando atenção.).Eu era a lenda do Independência.
Nos finais de festa felizmente podia escolher, quem já havia conhecido... a Betinha, a Renata, a Dani, a Alessandra, a Luisa e a Nessa e etc. (outras mulheres comuns)
Cada vez que ia pra cama com uma delas, criávamos um gesto singular. E na balada, podia escolher apenas por simples gestos. E assim que eu o fazia. Uma vinha. E as outras nem suspeitavam. Apelidei esse momento da noite como "Caça". E genericamente elas... são "presas", sem terem ao menos consciência, é claro. Bom, eu não sou machista. Só estou descrevendo um processo.
Hoje é 20 de dezembro e faz já um mês que comecei a conhecer a Julia. Tudo aconteceu numa livraria. Ela estava lá na sessões de Sexo e eu não acreditei.
Fui perguntar como ela estava e o que fazia ali. Ela me disse que sempre gostou de ler e que é uma boa distração. E eu disse " mas sexo". E ela disse que prefere um livro de sexo do que um filme pornô, disse que optava pela imaginação! Perguntei como ela estava (de novo, por algum motivo estranho), e ela respondeu que estava bem. Nos sentamos no sofá e perguntei de Daniel. Ela me contou tudo o que tinha acontecido: "foi a vida.as coisas passam, tudo passa, as pessoas passam." Depois daquela resposta senti um calafrio na parte de traz do pescoço e uma leve fraqueza no estômago.
Acabamos nos encontrando em uma festa, e no final da noite fomos pro terraço do apartamento dela conversar e tomar chimarrão. - e vimos o sol ressurgir.
Sou mais novo que ela... 6 anos. Mas estamos nos entendendo bem. Curto o jeito dela. Ela é durona, diferente. Ela não se entrega fácil, mas quando se entrega é intensa. Estamos vivendo bem, estou vivendo muito bem. As vezes no apartamento dela, as vezes no meu. Quem sabe não é amor? Ninguém pode saber. Hoje em dia é tão fácil se apaixonar, deixar alguém entrar. Todos temos apenas o grande medo de sermos o lado em desvantagem: aquele que é deixado. Que pára de viver, e apenas sobrevive. Se alimentando de memórias para resistir, como um parasita, dependente. Dia à dia. Um sofrimento desnecessário que se carrega até o tumulo. Pessoas realmente passam, assim como as coisas. Mas elas deixam marcas que demoram pra ser apagadas. Não tem volta. Amor, amor, amor: uma vida de riscos. O condomínio está mais alegre... por agora (pelo menos). Todos nascemos e morremos sozinhos e por mais difícil que seja aceitar essa imensa vontade de se fazer entendido e de poder dividir alguns problemas ou sensações com outro ser, nunca poderemos dividir o que sentimos, nunca poderemos dividir os nossos sonhos, os nossos pensamentos, o que os nossos olhos e o que nosso coração vê e sente. Somos seres solitários. E é só isso.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

The 1 hundred

Prologue

       The humans throughout the times have lost their ways and became killers of their own mother. Blinded and overwhelmed with their own trials and rules, the humans, as a manner of breasting their own brothers and sisters, threw their anger and rage at their only savior and living being: the Earth itself. A long time ago, Plateau (Timeau, 33) approved Demiurges' decision of defining the world and the other planets spheres. Considered the world, then, a living being by the faculty of swirling around its own base without shifting or exceeding its limits. Thereby, he adopted the fabulous zoology of the vast spherical animals. During the Renaissance, the concept of skies as a living being reappeared in Ventini. Kepler debated also with the English man Robert Fludd the propriety of Earth as a totally lively monster, "which whaling breathing, corresponded to the rest and the surveillance, producing the influx and reflux of the seas". According to the German psychologist Gustav Theodor Fechner Earth, our mother, is an organism, which is superior than the plants the animals and the humans. He also compared the spherical form of the Earth with the human eye, saying it is the noblest part of our body.

      The harm inflicted on Earth and also the lack of good intentions in human people called the Gods attentions. There comes a time that unfortunately few have to pay for the majority and an order must be re-established. As a consequence of the current behavioral situation in humans, one evil god was lately awaken and with him the evil destruction of this mass land called Earth. Dark times approaches the world. Death is much closer than anyone had ever imagined, and written in stone, just a handful of people could possibly resist and survive this horror. Just the fairs and the intellectuals will shine on the final judgment.
    
      The underworld's gate is literally opened.

Sensatez


Talvez, o que ocasionou o fim fora minha despreocupação total de minha vida, o que afligia demais os outros que me rodeavam. Seria uma causa, não lutar? Seria uma causa não intervir e não participar? Eu não sei.

Eu vou ter que começar pelo começo para haver algum sentido em minhas frases embaralhadas. A confusão sempre foi parte de minha psique. Nunca consegui entender muito bem como, o que, qual ou onde, mas quase que como por intuição e instinto, meu destino seguia sem lógica, sempre fora assim. Nada contestava nada refutava, pois no final, tinha certeza que bem no fundo, não valeria à pena.    

O diferente sempre é complexo à primeira vista, e quando familiarizado torna-se ordinário, comum e sem interesse. 

Bastava uma questão de tempo para que tudo acontecesse...

Mãos atadas

Não sei o que exatamente acontece do lado de fora.
Existe um leque de possibilidades infinitas a se pensar.
Não sei tambem o que acontece aqui dentro. Só sei como é.

Existe um sentimento tão devastador como um tornado
arrastando tudo o que vê pela frente, inclusive minhas lágrimas.
Tenta-se dizer todos os dias que tudo está bem,
mesmo com essa cidade sobre ruinas dentro de nossos peitos...
Essa perfeita e sinuosa inquietude me retira do estado de paz.

Falo como se fosse ninguem que estivesse falando.
Não quero me projetar neste texto.
Mesmo reconhecendo isso ser impossivel. Eu sou alguém.
E é essa confusão identitária e incompletude
que chama meu nome nestas noites de julho.
Poderia começar descrevendo meu novo abrigo
e falando sobre ele, mas não é essa a questão central.
Mas por dentro sei bem como é.

Existe um sentimento tão devastador como um furacão,
arrancando pedaços que sobraram de esperança de uma paz plena.
Ser completo não tem muito a ver comigo. E essa busca por serenidade,
e enfim, um descanço para minhas torturas psicologicas,
é uma frade na verdadeira realidade desta minha vida.
Nem amor, nem amizades, nem prazeres. Nada. Pelo menos até agora.
Se alguem souber a resposta. Que se prontifque em respondê-la.
O que é real e pode ser definido?
Bem, parece que estou de mãos atadas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Miss You

Don't say a word.
Never return your attention towards me.
I am helpless to you.
I miss you way too hard.
It is not that easy to remember nothing went right.
I am sinking locked in a cage.
I am reckless to you
There is nothing simple well you are not around
I have faith someday I will get my peace of mind back again.
Please, please. Make it at ease.
Turn me upside down
kill me and resurrect me
summon up these emotions
bring back my normality
Take me for what I am.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Suffering Into The Night



I am sorry pal.
But once again I am lying to myself and this is the worst sort of lie ever made.
How can I seem so right about what I say when I know nothing?
I am shrunken under my sheet waiting to get through the night for days.
But these hopeless ways are never ending.
I just want to put things aside...
 and stop this silence riot in my head
and stop this war in my heart.
sometimes it is hard to shout into the silence
I just wanted your friendly palms to wipe these tears from my cheeks.
I know it sounded childish..  it's me. do you remember?
this would be another new  beginning of an eventually  deathly new ending.
But  I want it. I want it really bad.

Losing Fight



I don't know why I feel so full of emptiness
when I shouldn't be like this
It appears I cannot ever run away from my ways
the deep of my iris
express my feelings, can't you see that?
you don't seem to care.
maybe I let you ride me in the wrong ways
I guess from now on I will never ever get over it
there are so many things
many signs of you all around me
I am feeling really weak now
just when I can't be
Someday I hope to leave town   and leave all that reminds me of you behind
once something is broken
it can never get back to the way it was before
bury me alive down the deepest hole
and pass by to leave some roses afterwards
I wish I could to talk to you now  about what I am actually feeling
I can't drop my worries somewhere else.
I need somebody's shoulder to lean on
to speak words of wisdom
something worthwhile
some understanding I couldn't reach myself
show me ways to follow , pardon me,  please give me a sign.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Acorde

“Sempre quando olho para um ponto fixo vejo você.
E não me refiro a você. Refiro-me a mim mesmo. Pois é nisso “como eu me vejo”. ”

Era uma vez eu acordei.
Havia dentro de mim um infinito. Imagine um lugar sem dimensão espacial, sem luz, escuro. Na verdade com apenas alguns poucos feixes luminosos ocupando pequenos campos de iluminação, surgidos do ar, do meio de um espaço qualquer, flutuante e reluzente. 

No fundo de um lugar inexistente, existia um armário cheio de livros.
Na parte de baixo, havia livros infantis e fábulas. Nas gavetas do meio, uma tonelada escaldante de literatura cânone e romances contemporâneos, feitos para serem desentendidos. Na parte superior da estante encontravam-se os arquivos, revistas e materiais científicos. 

Nesse âmbito também se encontrava uma TV do lado esquerdo da estante.
(Seu cabo estava ligado em um dos feixes de luz)
Ao contrário desta estante, a  TV  sempre esteve ali desde o segundo segundos de minha vida. Ela me mostrava o que acontecia em minha vida, ela me lembrava de coisas, ela me atormentava, ela me acolhia e ela me magoava. Ela me ajudava a mudar e só trocava de canal quando isso acontecia.

À direita da estante, nesse escuro infinito espaço dimensional de poucas fendas luminosas havia também um chuveiro. Esse aí servia para descarregar o peso do cotidiano até que ele escorresse para o ralo e enfim eu  estivesse livre da rotina, das lembranças que eu não podia lembrar e das preocupações que não precisava me preocupar.

Algo interessante é que dentro de mim, me sintia mais livre. Dentro de mim não usava roupas, não existiam regras, não tinha vida, ou melhor, dentro de mim eu tinha vida.

No final do banho, precisava também me desfazer de mim, me descarregar, escorregar pelo ralo.
Só então poderia cair em minha cama de lençóis leves e edredons pesados até que minhas pupilas pesassem e eu estivesse vazio de tudo que outrora estava cheio. Só assim pude dormir outra vez.

“Sempre quando olho para um ponto fixo vejo você.
E não me refiro a você. Refiro-me a mim mesmo. Pois é nisso “como eu me vejo”. ”

Ver; entender; compreender; buscar o real; buscar a verdade; estabelecer a essência; entrar em equilíbrio; interpretar além do que se vê; conhecer a si.

Solitude

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Reticências

Naquela tarde, porque chovia e não havia luz suficiente para que eu pudesse permanecer na sala, vendo as cores dos vidros desdobradas em outras sobre os objetos, tinha caminhado pela casa toda procurando algo para fazer.

Descobri faz algum tempo que as mãos se opõem à cabeça, e quando você movimenta aquelas, esta pode parar. Não sei se é uma grande descoberta, talvez não, mas de qualquer forma gosto quando a cabeça pára o maior tempo possível, caso contrário enche-se de temores, suspeitas, desejos, memórias e todas essas inutilidades que as cabeças guardam para deixar vir à tona quando as mãos estão desocupadas. Ocupo-as então, fazendo coisas que depois disponho pelos cantos.

Há longas tiras de pano colorido ou papel crepom penduradas do teto, pelas portas pendem cortinas, longos fios de contas ou sementes enfiadas em cordões que balançam emitindo sons nas poucas vezes em que abro as janelas para que entre o vento, restos de manequins, braços e pernas e troncos e cabeças que costumo recolher nas latas de lixo quando saio a caminhar, nas horas em que não há mais ninguém nas ruas, e cacos de louça, garrafas cheias de água de muitas cores, pedaços de caixotes que também pinto para que não pareçam demasiado crus, e ainda recortes de figuras ou velhas fotografias que vou colando pelas paredes, montes de palha, fitas, flores secas, sobretudo rosas, sobretudo vermelhas, cujas pétalas depois de mortas ganham uma tonalidade de sangue coagulado. Isso me pacifica.

Lucas e Carolina, prazer


        
  A história começa no bairro Moinhos. Num dia de chuva qualquer da temporada de inverno de 1994. Aparentemente um dia como outro da semana. Exceto pelos destinos que ali teceriam uma nova história.
 

19 de Julho de 1994
 

         "De repente esses ralos enchem, a rua inunda e esse maldito congestionamento atrapalha mais ainda nossas vidas." remoia Carolina.

         "Claro." repetiu o garoto no banco de passageiro.

         Lucas era  um rapaz tranqüilo e silencioso, não era de muitas palavras.
 

         " Sou de bastante palavras sim! - pausa para indignação - Prazer. Meu nome é Lucas. Vivo em Porto Alegre há três anos. Ainda que antes tivesse pensado que apenas assim teria descanso, as coisas pareceram tornar-se um pouco mais complicadas do que eu tinha em mente. Tenho 25 anos hoje, inclusive. Há apenas algumas horas cheguei oficialmente aos 25. Mas nada mudou, entende? Estudo História da Literatura. As vezes, é interessante,  as vezes a vontade de jogar tudo pro ar é alta. Possuo um emprego satisfatório como tradutor em uma editora de livros da cidade. E me considerava uma pessoa razoavelmente feliz até descobrir que todas histórias não se baseiam em fatos, mas mentiras. E isso é o que diz a Literatura."

        Lucas vivia uma vida bucólica na conturbada capital gaúcha. Apesar de muitas mudanças, nada havia mudado muito em sua vida. Ele se sentia quadrado e vazio como uma caixa. Lucas era  um rapaz tranqüilo e silencioso, talvez fosse de algumas  palavras.

        "Nunca me senti como uma caixa." respondeu Lucas.

        Diferente de sua irmã Carolina, que está quieta agora, mas é uma tagarela.

        "Obrigado. Prazer é meu. Desculpa, meu nome é Carolina. Carol, isso. Eu faço Ciências Contábeis na Católica e não sou uma guria calma, diga-se de passagem. Ainda mais em dias tediosos e agourentos como esse, que tu te acorda no automático, porque não tens a mínima vontade de ir pra tua aula, sabendo que vai haver dois períodos extensos que vais ter que ficar sentada olhando pra cara de um professor com um sotaque americano falando sobre estatística de mercado. Além do mais, ter que aturar um Lucas no carro - até na hora de ir pra casa - em silêncio, e se esforçando pra conversar: é o abismo total. Isso sem falar nessa chuva que cai um dia depois de eu terminar meu relacionamento.Um típico dia pra botar em prática a depressão."

        Em alguns momentos de sua jornada, teve a leve sensação de decodificar a vida em sua mais vasta diversidade. Na maoria das  vezes, Carolina ficava segura sobre as escolhas e tinha certeza sobre as respostas, ou ao menos predeterminava elas, a partir de suas possibilidades. Era sempre a mais racional possível. Em outra associação de pensamento, era como se a vida fosse um livro já lido, que embora ela não soubesse as sucessivas palavras em sua ordem magistral, ela saberia no que determinada ação iria implicar.
        
       "Absolutamente". ressaltou Carolina.

         Bom, o carro deles era vermelho. Vermelho cor de sangue.  Um Kadet de duas portas, sem ar condicionado, mas com toca fitas para a diversão de nosso amigo Lucas. O assento era regular, sem muito conforto. No banco de trás, o espaço era realmente restrito, devido a  mochila pesada e a quantidade de papeis e documentos de sua irmã Carolina: a futura grande contabilista da família. Desprezando a idéia de Carolina ser quem usava o automóvel  mais freqüentemente, e por sua vez, se apropriar do mesmo atribuindo sua autoridade na posse do mesmo, poderíamos descrever o carro dos Muller, como aquela garrafinha de ketchup vermelha  que fica meses parada no canto da porta da geladeira, escondida atrás de um pote de geléia, que todo mundo se lembra quando tem  pizza,  ou um lanche de pronta-entrega pra comer, caso raro para os Almeida.

         Carolina naquela sexta-feira estava chata pra cacete, pensava Lucas. Do Moinhos até a PUC ela falou só sobre o TCC que não pôde terminar porque havia faltado luz na noite anterior, e que ela tinha perdido o gás para continuá-lo no presente dia.

         "Tu pensou isso de mim? Dois contra um é fogo." repreendeu Carol.

          Nossos dois amigos, vítmas do urbanismo e do cotidiano de capital estão prestes a descobrirem que o que precisam é um pouco de irrealidade para salvarem suas vidas. Ou então, sabe lá o que é real. Vocês estão curiosos ?

          "Como assim? Só o que me faltava um narrador assim." respondeu Carolina. " Óbvio que fui eu que respondi, sou eu a revoltada, Sr. narrador. Sinceramente, eu odeio literatura."

         "Tá, mas curiosos pra quê?"  questionou Lucas enquanto o sinal estava fechado e o Ketchup atolado no meio do engarrafamento. "Hmm."

         Os dois sentados no carro se perguntavam "que rumo tomariam nossas histórias".

         Só que a pergunta que não queria calar era  "gostariam mesmo de estar em um outro lugar de verdade?"