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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Natureza

Você não quer partir, mas faz tudo errado. Seu erro foi culpar a sua natureza e seus instintos como se fossem passíveis de serem controlados.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

História Inacabada (part2)

       Meus olhos arderam mais do que tudo. E ao piscá-los mirei através dos espelhos da cafeteria duas charretes e um Fusca azul estacionado no outro lado da calçada. 
          Ana de repente entrou no estabelecimento eufórica, escoltada por dois militares. "Não dá pra sair do meu pé um minutinho, não?" ela xingou os dois que pararam na porta parecendo obedece-la. Ela veio até minha mesa e sentou-se, olhou para os dois lados suspiciosa e olhou meus olhos com profundidade. "Aonde foi que tu  te metestes João? Te esperei por muito tempo." Houve um silêncio e ela retirou as luvas.
          "Meu pai está extremamente insano. Ele quer me deportar pra França." ela retirou um entulho de papeis e jogou sobre a mesa. "Encontrei isso no escritório do crápula." Eram papeis oficiais do Coronel Everaldo assinados pela embaixada francesa. "Eu conheci alguem infiltrado no conselho do Jornal que faz parte de nosso movimento. Quero que você conheça ele, temos muito em comum. E ele tambem tem partes importantes de nosso quebra-cabeça." Mas e se o seu pai descobrir? - Eu pensei.- E se tudo desse errado? E se não conseguissemos chegar ao cofre? E se eles suspeitassem da verdadeira valia da operação?
          Um carro invadiu o local e atropelou os militares. Homens de máscaras colocaram os braços pra fora e começaram a atirar a queima roupa em nossa direção. Foi quando ele apareceu. O nome dele era Caio, conhecia ele de vista, um homem dificil de passar despercebido, ombros largos, barba grossa e pele rude.  Difícil também, não compará-lo com James Bond, quando agarrou meu braço e nos tirou daquele caos. Ana usava um vestido de gala prata e seu cabelo lindo estava preso como uma pirâmide, sua pele era tão branca e pura que que era quase divina. Já Caio era mulato e elegante. Ele estava a rigor, de terno e gravata borboleta. Ao sair da mesa, entramos em uma porta nos fundos do bar e nos escondemos em um armazem antigo. Eu estava tão exasperado pra ficar longe daqueles tiros e do caos que ali havia se formado, que tentei me levantar e sair pelo portao da garagem. Mas ele me segurou novamente. "É perigoso  e óbvio demais."            
     Ana cuidava atrás das caixas com o impeto de detectar qualquer ação furtiva dos inimigos, mas estavamos salvos. Escutei o estouro de alguns tiros até o barulho cessar. Um homem de avental branco coberto com sangue surgiu em nossas costas com uma espingarda. 
         "Venham, tem um refugio seguro por baixo do bar." Aquilo soou muito estranho, como se fosse uma armadilha, no entanto não tivemos muitas escolhas estagnados contra a carabina da arma do desconhecido.

         

Antes

       Diferente de antes, tudo está passando muito rápido de uns tempos para cá. Já não começo a achar graça quando não existe exceções. Andar pela areia quente cansa os pés, cansa a rotina de quem já viveu o bastante na praia. Não disfarço as vantagens de estar aqui, aqui que sempre foi meu lugar e sempre vai ser. Mas agora em meu caminho eu preciso de uma mudança drástica, como transformar o ferro em chumbo. As ondas descem  espumantes a costa e retornam limpidas. Consigo nesse momento reparar as conchas na beira do mar, que parecem que sempre estiveram ali como se fizessem parte daquele lugar ao sol. Tudo é tão igual, mas ao mesmo tempo respiro um novo ar, uma nova praia, com novas conchas e novas expectativas... diferente de antes.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Amor incerto nas horas certas.

      O que eu procuro em mim encontrei em você. Quer ver?
      Não seria fácil entender as coisas sem ter a peça mais importante para completar o quebra-cabeças. Não existe o para sempre e as pessoas tem suas próprias respostas independentes de estarem certas ou não. Não seria fácil aceitar que as pessoas são substituíveis. A minha verdade diz que o pensamento do homem se transforma através de uma equação matemática que tem por  elementos essenciais o tempo e o meio social que condiciona os indivíduos, sendo assim tornando o produto a percepção volátil de cada ser. Uma vez que o pensamento do homem transforma-se, inquieto, assim transformam-se suas necessidades e interesses. E tudo isso talvez não seja a mais romântica  das declarações, porque tudo isso, significa que não amo você e nem amarei alguem, pois amor é só mais uma palavra derivada de uma abstração filosófica para a descrição de um sentimento - ao alcançe de algo homericamente abstrato, ao nivel de não haver mais explicações lógicas, o amor apenas recebe a aceitação, ou intuitiva ou tradicional (de uma cultura pós-medieval) - mas aqui te enuncio a minha maior necessidade nesse instante: você. Não estou falando de carência ou sexo. Mas alguem que necessito ao meu lado; que preciso para haver sentido parte do vazio que sentia de quando você não havia me encontrado.
      Portanto, não me julgue mal por não te amar. Além disso, desculpe-me por qualquer excesso de passionalidade nas linhas desse texto, pois ele não foi feito para ti, mas para mim mesmo.