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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sono da alma é dormir você

É quando te vejo no âmago de minhas imaginações,
que acalento minha alma e durmo em paz com você.
Mesmo que não queira, já quer ser parte de mim,
porque é por mim que queima em fulgor nos desejos insólitos.

Não hesite, pense que sou você e você é eu.
Não sou tao diferente assim pra você ter medo de mim.
Pois é, e o que podemos fazer se:
eu me vejo em você; e voce se vê em mim.

Eu dormirei assim, pensando duas vezes em mim.
viajando nos desenhos do pensamento
das palavras que eu vi e do que eu escrevi pra você
Eu dormirei assim, ecoando você dentro de mim

Abraçado,
escaldado de pensamentos;
debochado...;
debruçado em ideias sobre você:
sonhando acordado, dormindo e vivendo, Eu hoje você.

An attempt to define simple things

The true suffering resists against fantasy, piercing through reality; increased losses converted to tears. The hope, a rational and emotive aspect of human beings, dies when life, its content, dies.
I am bored of being man. We can always decorate the houses, make the beauty arise. Even when no beauty can be seen; we create beauty to be seen by our eyes.
Calculating the parameters, minus the leftover of wasting thoughts:
 nothing special defines life, nor love.-
 nothing special lies in life, nor love -
 Human beings that make them a big thing.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Viagem ao centro

           Sentado num banco qualquer no ônibus do meu dia-a-dia, me veio a cabeça um pensamento, a principio insensato, de que as coisas devem ser simples e simples devem ser mantidas.
         Era uma hora de viagem até o centro da cidade, onde a vida começaria. As pessoas tropeçariam uma nas outras atrasadas para o trabalho, os sinais piscariam entre o verde, o amarelo e o vermelho incessantemente. Uma tarde de fumaça, murmúrios e barulhos incansáveis. Então, bateu-me aquele vazio esquisito, uma leve culpa da consciência de que haviam muitas vidas perdendo algo essencial no meio do caminho, no meio dessa viagem que é a vida. Seria muito poder respirar? Poder sair do ônibus, sentar-me ao lado de um animal qualquer, sob a sombra de uma árvore e  olhar a tarde passar como quem não possui pensamentos difíceis e uma vida complicada.  
            Uma vontade imensa de ficar ali no desleixo me agarrou de surpresa o peito. Gradualmente, ao passo que a viagem se concluía e eu ficava nesse ônibus, meu ar escapava pra fora de meu corpo; meus olhos viscosos faziam de minha visão um belo borrão de cores da cor de mel que se misturavam; meus braços ficavam molengas e meus nervos tremiam, uma energia verde atravessava minha nuca e as luzes de dentro de cada um apagavam-se, até sentir-me o único, sozinho, em um trem inabitado.
         A porta, então, abriu. Um homem de cartola em trajes formais entrou e sentou-se em minha frente. Senti em meu pulso um batimento crescer, era como se meu coração tivesse se deslocado. Ele tirou a cartola e disse "Eu vim pela música. Ouvi vindo de seu coração. Tão ritmada e solitária. Você canta uma das músicas mais tristes que eu já escutei dentro de você." Minha testa suava e meu rosto respingava suor. "Você acha que é isso? É a sua hora? (...) Mas você tem tantos amigos e amor em seu coração tambem.(...) Talvez seu coração tenha razão, sua alma sufocou." Meu peito esquentou-se como em um abraço profundo. "Você é tão bonito por dentro. Não se preocupe, não há dor aqui, há paz suficiente pra sua alma acalmar-se e recuperar as energias. Quem sabe você volta para uma estrela maior e mais forte da próxima vez?" (...) 
       Ao acordar da viagem, senti uma lágrima escorrer em minha bochecha. No lugar do vazio, penetrou um acumulo de respostas, desorganizadas, que se traduziam naquele momento em:  perto da dor da perda e da morte, tudo parecia ser tão fácil -  para todos que já perderam algo na vida.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Acreditar

        Uma estrada chegou ao fim. Mais um ciclo se encerrou. Como uma série que chega em seu último episódio já prenunciado; como aquele personagem que temos afeição, que some sem deixar vestígios e nem motivos de sua partida. Um caminho de idas e vindas, subidas e descidas em que muitos despencaram, estagnaram-se e ficaram pra trás, em lugares hoje inexistentes, que já não fazem parte de nossas vidas. 
        Conforme chegamos a esse ponto limite do caminho, percebemos como magia que existe um segmento, uma ramificação de diversos outros pequenos caminhos brotando ao passo que os olhos interessam-se pelos mesmos nunca enxergados. Nesses caminhos, todos personagens da história de cada um de nós aplaudem-nos ao passarmos, e os segundos passam mais rápido, os dias voam, e os anos deslizam sobre nossa pele. Marcando nossa idade. Os sorrisos invadem nossos corações a cada novo caminho e até a triste certeza de que a morte é injusta, vai embora. E então, voamos para a nuvem mais alta. Banhamos-nos da chuva e descemos pelo arco-iris como escorregador de criança. Esquecemos de amarrar os sapatos, as datas de aniversário, desaprendemos a comer; esquecemos do ontem, do futuro e vivemos, finalmente, o presente. E mesmo quando pensamos ter encontrado o fim, uma luz sempre condena a entrada de um novo cosmos de ideias.
        Por isso, a conclusão é inexistente, ilógica e indisciplinada, já que as ideias são como um vírus que muta-se incontrolavelmente, tomando várias formas, sem uma definição final para remediar os fatos. Bem, já estamos crescidos demais pra dizermos que já entendemos de tudo, porque o "tudo" ainda não pode ser contabilizado, nem mesmo racionalizado. E a verdade mais inata de nossos corações, reside em que não importa quantas forem as portas e os caminhos, a mudança que for... ao passar dos anos, o que fica é sempre o que é mais essencial: o amor no que acreditamos ser o certo, respeitoso e ético. E essa é a lição dos caminhos: acreditar sempre no melhor.

domingo, 20 de novembro de 2011

Sistema óbvio das ausências

       Sempre, nada se compara ao charme do invisível. Da selva anterior preenchida pelo mistério. Da estrada sem destino, da catarse do vazio, do dilúvio das ausências. O momento da espera de todas as coisas é um momento ímpar.  Algo que implica violentamente no nervosismo de nossos corpos frente ao amanhecer de um novo dia. Embevecendo-nos de motivos, razões inventadas, pensamentos insaciáveis, gramaticas incompletas. Pontuando fins a cada minuto, hora, dia, ano; a cada palavra e a cada espera de uma; a cada conversa e a cada espera de uma; a cada encontro e desencontro. Uma estante a espera de livros, o começo de um novo milênio e os ciclos viciosos se perdem em coisas mesmas de diferentes maneiras. De modo que a beleza não se canse, os motivos não se desgastem e as coisas, ainda assim, se omitam e não mudem.

Palavras sem significado

       Havia um livro em suas mãos, sem palavras. Apesar de escritas quase 46.000 delas. Havia muitas dúvidas se elas existiam, diziam-se ou multiplicavam-se. Não eram essas, aquelas palavras, as ditas. Ditas cujas que por qualquer um dos dois, poderiam ser lidas.
      De fato, só havia um lado apto a atravessar os abismos semânticos ali contidos. Enquanto do outro lado, mesmo que olhando-as, ainda não se podiam lê-las, as palavras. Sem falar, nas leituras sonoras que decifrariam o medo, a solidão e a asperesa desse informante. Sentimentos esses deixados para trás. Não que eu enxergue ou perceba a presença de tais elementos.
     O que muda? Talvez não importe. Não importa não ver alem da profundidade que pudesse haver. As linhas de interpretações que intercalam-se com as leituras prévias. Em outras palavras, aquelas não ditas. O que eu quero dizer com isso se resume a uma pergunta: é preciso entender com igualdade as coisas da vida? Deve haver um nível, que reflete sobre o quanto se entende para  que outro seja entendido; um nível que diga o quanto não entendido o outro é. 
     De qualquer forma, não iriam se entender os Homens de Neandertal, se isso fosse preciso. Isto é, e se a palavra não for tão importante, tão afiada e inteligível  quanto as dimensões polissemicas do homem? Para ser mais específico, levanto a tona a pergunta: quem diria que o homem primitivo nunca amou? Ou o amor nasce após o Romantismo medieval? Ou são apenas as histórias, com palavras.
     Portanto, não há livro de História que contasse essa história mal contada. Surgiria o amor com as palavras ou será que ele justamente morreu após seu surgimento? Seria um amor menos original? Havia um livro em sua mão sem palavras, respostas às perguntas dadas, pensou ela, a menina que amava Eduarda.

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." Clarice Lispector


sábado, 12 de novembro de 2011

Para despir-me dos pensamentos que pesam

    A vida é como um inverno permanente, que mesmo no verão esfria as mãos e os olhos, queimando poucas  esperanças, estabelecendo entre minhas ações gritos de silêncio, que de tanta fúria configuram-me em sua insignificância expressiva; assim como uma árvore que não dá frutos e a água que escorrega por entre os dedos; sem motivos, sem significados.


Life purpose

William Shakespeare 

Life's but a walking shadow, a poor player,
that struts and frets his hour upon the
stage, and then is heard no more; it is
a tale told by an idiot, full of sound and fury,

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Penso, sinto e não acredito

Não sei se o que eu penso é o que eu deveria pensar;
se essa culpa é a consequência do que fiz.
Não sei se esse sentir-se pequeno deveria transbordar-me constante nos dias que passam sem me afogar.
Não sei se o que vive em mim é puro e merece a pureza de um infeliz

Não sei se o que eu sinto é o que eu deveria sentir.
Não sei se permanecerei enclausurado nessa condição
Não sei se é o fogo que me faz rir
Não sei se é o gelo que me encolhe ao chão

Não sei se mudo aos poucos ou se mudo em marchas lentas;
Ou se existe uma opção  para tais crenças
Não sei se o que me rasga são as incertezas
se soubesse não escreveria linhas densas

Não sei se o que faço é o que eu deveria fazer
 se te machuco e olho por mim
 se me machuco e olho por ti
Não sei se a dor  ainda é uma opção
Não sei se a dor foi sempre invisível como uma maldição
Uma doença sem cura e razão
Mas não sei se quem fala vem do meu coração
Não sei se o meu coração é quem fala em vão

Não sei se o dia começou ou terminou
Não sei se os ponteiros falam a verdade ou fingem se sobrepor
Não sei se acredito mais nas coisas da meia noite
Não sei se fico, não sei se vou

Não sei se minha alma já se esgotou
de respirar; de gostar e sufocar; e temer; e esvaziar
De voltar aos versos de primor;
De sentir-se pequena em meio ao seu maior dilema
que é o amor

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Segurei o sol

         Mesmo que hoje ainda eu falasse o óbvio, não seria suficiente. Foi o que pensei ao voltar em meus pensamentos    há alguns anos atrás.
        Esperava sob a chuva sentado no meio-fio entre a calçada e a rua. Estava na frente da sua casa. Esperando uma ligação que fizesse sentido. Nariz fungando, frio que te encolhe e a água batendo contra minha lateral incessante. Continuei firme, pois valia a pena esperar, afinal era você, da outra cidade, sob uma convulsão emocional por causa minha ( hoje vejo bem que  por causa sua mesmo ). Fitei o fim da rua quando o relâmpago iluminou o poste desligado e havia uma nuvem logo atrás com o formato de seu rosto. Pensei em te contar caso ligasses, iria te dizer que havia te visto feliz e que tinha consegui até mesmo perceber os seus dentes no meio daquela escuridão. Mas segundos depois desanimei-me com a certeza de que você não iria acreditar ou mesmo me dar razão, sentir-se instigado. Noutro dia, pela manhã, havia pensado em te dizer que as janelas do prédio onde estudo, em um vendaval, quebraram-se uma a uma, inclusive uma que estava encostado. Sorte a minha que saí dali para te enviar uma mensagem perto das escadas, aonde havia sinal da operadora. Não seria muita coincidência você ter me salvado? Acontece que, de certa forma, isso não tinha nada a ver conosco. Isso o que? Vincular a realidade com a fantasia ( pelo menos foi o que você disse quando tentei te contar ). No nosso último final de semana fui à praia e você me perguntou o que eu estava fazendo lá. Eu  o respondi que estava tentando pegar o sol. Você disse que eu estava mentindo e que era pra ser realista e te respondi o mesmo, esperando que você reagisse diferente. Meu peito apertou e sua voz se enrijeceu. E depois de abusar de minha tolerância, você se desfez de mim como faz com absorvente.
           Te liguei milhões de vezes e fui na tua casa, bati na tua porta e imaginei que você iria desculpar-se, me abraçar e me beijar; imaginei que você  iria querer me entender, se sentando no sofá e perguntando o que estava acontecendo; imaginei que você se arrependeria e perceberia que sempre te quis bem; imaginei que você apenas estava insegura e iria tentar melhorar; também imaginei que você poderia abrir a porta e dizer que eu estava sendo imaturo e que tinha mudado de idéia: eu era muto novo pra você; imaginei que você poderia estar com alguem e me mandaria ir pra casa ver desenho animado; imaginei que você iria dizer, "desculpa, mas acabou para sempre". Mas isso tudo é ficção: a única coisa que não imaginei era que você se mudaria e nunca mais atenderia ou ao menos retornaria uma ligação. A realidade é que você me deixou ali na chuva com o seu sorriso que nem sei se é seu;  um buraco no peito no lugar que habitava um coração; com um amor que nem sei se aconteceu; e uma foto daquele domingo de primavera na praia.

   

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Confusão final

          Todo artista ao escrever se preocupa com o efeito que quer provocar no leitor. Pois, todo texto possui um propósito comunicativo, já diria Jacques Lacan. No entanto, o que acontece, é que dessa vez quero desconstruir e bombardear esse sentimentalismo barato (?). Afinal, segundo Freud "o desejo é o desejo do Outro" . Bom, embora isso tenha soado subjetivo demais, constitui-se de uma reflexão psicanalítica da linguagem. Em suma, o significado de querer fazer-se entender ao desconhecido. Na linguagem verbal, isso se evidencia desde a organização de seu texto, as escolhas lexicais, e as questões que tangenciam o "meio" e que, através de suas variações, modificam os "fins" . De fato, tudo tem inicio, meio e fim. Faz parte da vida; é a dialética prenunciada de Marx; é o ciclo da vida. Mas imagine só quantas coisas passam por esse processo na vida de uma, apenas, pessoa. O idealismo está avesso a vida em tese: para alguns mais, outros menos. Tudo teria sentido se as coisas fossem mais simples. - Ai, que texto estranho! Re-li agora e resolvi escrever no meio experimentalmente. Desconsidere isso, ok? - E o que há de simples na vida? Sim, tudo; algumas coisas; nada. Cada um possui sua verdade, haja vista sua observação empírica. Mas não curto, plenamente, as ideias planas de Descartes sobre a vida. Existem coisas, aformicas nesse plano. Além de números, em um nível de pensamento extremamente submerso ao existencialismo, há uma superfície frágil, ilegível, indecodificável, tão permeável quanto a água, tão deslizante quanto o gelo e tão concreta quanto o vapor. Falar de sentimentos, não é somar dois mais dois, variantes existem, mas muito além delas estão as histórias, as angustias e o medo. - Queria férias. - Medo de viver, medo de acabar medo de começar,medo de não ser, medo de estar, medo de não amar, medo de sofrer, medo de pensar. Medo de não querer temer. Medo do que é diferente.  Medo do x e do y. A angústia de prometer, porque as promessas falham. Rir e não estar querendo rir. A pressão de ter que estar, ter que aproveitar, ter que ter um labrador, ter que se casar, ter, ter, ter. Pra ser feliz, eu preciso ter isso, pra estar feliz eu preciso ter aquilo, pra ser saudável, eu preciso comer isso, pra viver disso, eu preciso fazer aquilo, pra saber isso, eu preciso saber aquilo... tudo seguido, racionalmente, como se a vida fosse linear, regimentar e limitada as mimeses, rotinas, habitos, ao cliche do pensamento, as asneiras e leis, à crítica a qualquer ser humano, como se a razão fosse uma só, arbitrária e gradual .Existe uma razão pra tudo hoje em dia. - e que chato e impossivel é saber tudo -  Dia a dia é sempre uma nova euforia. E o que eu quero com isso? Dizer algo ou nada, dizer nada, sei lá.- Que vontade de apagar tudo! - Só sei que tudo tem fim.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vento é tão concreto quanto as certezas

      A insensatez da sanidade é a gravidade que luta para manter os pés no chão. E o tempo que, para todos, assopra mais algumas horas representa o fim de um dia e o começo de um novo. Não que  o tempo delimite  a passagem  do universo das almas; não que a essência constitua-se entranhada nesse terreno mundo. A morte não traça a conclusão nem mesmo o começo, nem mesmo está marcada, somos nós que damos significado a tudo e nós que o restringimos e erramos e vemos a presença de coisas que não existem. Em cada coisa, e a cada contradição e a cada teoria improvável e, no mínimo, naquelas eternamente sem respostas. Não seria mais fácil aceitar apenas as coisas como elas são? Sem certezas.


domingo, 23 de outubro de 2011

Outro alguem

         Assim que desci as escadas, tentei esconder meu coração atrás das almofadas do sofá, pois naquela noite eu esperava alguém. Não estou pronto para alguém, nem mesmo bebi o suficiente para fazer seu rosto desaparecer. Existe um vazio tão espetacular em mim, que posso assistí-lo surpreso, dia-à-dia, tomando formas e cores diferentes, oscilando entre o cinza, o verde, o azul e, às vezes, o vermelho que jaz em meu sangue, correndo em minhas veias, um rio vermelho, amargo. De lembranças, ele transporta não só oxigênio para meu cérebro, ele transporta você, seu sorriso. Meu coração, na verdade, espera por outro alguém.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Só porque às vezes não sou eu quem está em mim

        Era tardinha, eu abri a porta para uma coisa que não conhecia, convidei-a para entrar, perguntei se não queria uma bebida e acabei desse jeito, sem jeito. Eu tenho que falar hoje, mais do que nunca, sobre o absurdo do querer, que de tão absurdo transformou-se no que considero patético e irremediável. Foi só lavar a cara e respirar para perceber  que toda essa instável sinfonia estava alterando meus pensamentos, queimando meus axônios, impedindo sinapses de raciocinio, afetando quem eu realmente sou e como eu penso. A conta 22 x 365 calcula a minha estadia dentro desse corpo. Resultando em um total aproximado de 8.030 dias de vida,  teleguiados por meus sentidos humanos, erradicados, impulsivos, frageis e sentimentais. Embora essa coisa do absurdo não tenha me ferido biologicamente, hipoteticamente  atravessado minha pele, rasgado meus orgãos, destruido meus sistemas,  corroendo meu organismo, como um vírus - pelo menos desde que convidei-a para entrar - ela atingiu em cheio minha fragilidade mais subjetiva, o que eu considero por essência, pureza e sinceridade. Aos poucos, em um jogo de palavras, ela tomou  conta de um jeito que nem consigo descrever, controlou minhas emoções e se voltou impiedosa contra mim. Com base em meu absurdo querer, um duelo de titãs se ergueu dentro de mim, em algum lugar entre minhas convicções e sentimentos  que se define tristemente em: querer estar com voce versus  continuar sendo eu mesmo. Por isso atingiu minha essência, meu Eu. Me sinto perdido, e sei que não é em você que posso achar o caminho de volta para mim, por isso, preciso fazer força, arrastar-me até a porta, abri-la com todo meu querer, e joga-lo pra fora, sem ademais, sem delongas. Desculpa, mas não aqui, não essa madrugada, não em meus 8.030 dias. É inevitavel que doa, porque colacá-la pra fora, é causar uma nova cicatriz, estar sem jeito, é estar sem alguem para conversar hoje à noite.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Infância

Você sente esse cheiro de noite? Não perguntei se você sente esse cheiro à noite. Perguntei se sente o cheirinho de noite no ar? A noite é sorrateira, mas meus sentidos são prestigiosos. Coloco meu  guarda-sol e minha cadeira de praia no jardim e sento lá. Minha vó e eu. Espero pela lua das 10 da manhã, pois sei que ela vem. Sou um cara adiantado, que leva o ponteiro do relógio a risco. No entanto, não uso relógio. Reparo na sombra do asfalto batendo no pedaço de concreto que antes eu chamava de muro, se movendo conforme os carros passam na desvencilhada. Eu e minha vó. A noite se aproximava cada vez mais de mim e dela. O ar úmido e os sons dos cavalos passando, agúdo. Café da tarde no quintal. O balanço do vizinho indo e vindo de acordo com o vento. Os murmúrios e buzinas, tudo parte da noite, sinais de sua aproximação. A vó na porta de casa e de repente no varal da roupa, recolhendo as últimas peças. O cheiro da noite. O jornal das seis. O balanço da cadeira de embalo. Minha vó ria da novela das 9. Tudo eram sinais assim como as palavras cruzadas. Até que a noite apertou a campainha,e todo o pueril virou memória.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Admiração em um homem

         O homem de se admirar não diria que não se arrepende de nada do que fez ou disse. O homem de se admirar diria que sempre se arrepende por não ter feito ou dito melhor. Um homem inteligente se entrega as impossibilidades e aceita as mudanças em si, transpirando a dialética de sua essência e percebendo as ausências presentes em sua vida.

sábado, 8 de outubro de 2011

Viagem

            Velejei em mim outra noite. Meu mar escuro, de marolas impacientes, indisciplinadas. Me agitavam,  quebrando em mim a cada ressaca; quebrando em mim a cada dialogismo introspectivo, uma conversa com alguem dentro de mim que desconheço. Acabando, finalmente, na beira da praia. Foi naquela estrela cadente que começou: no momento mais inesperado que os sentimentos mais inesperados surgiam, algo extradimensional, uma palpitação boa sobre o mistério do destino. No entanto, uma nuvem negra pesou sobre minha órbita, quando lembrei que de qualquer forma, tu irias voltar, arrastando todas sensações e memórias boas para algum canto escuro, sem esperança e sem nome dentro de mim. Meu olho se prendeu no assovio do vento lá fora enquanto uma rajada de vendo ricochitiava os vidros; enquanto tua respiração invadia meus ouvidos como lira; enquanto instantes passavam despercebidos no rádio-relógio. Meu coração estava sendo abatido em um açougue imaginário, revestido de murros e pancadas. Minha mão tremia no teu  pescoço e minha garganta arranhava, grunhindo sons incompreensivos... tentando impedir meu coração implorar "Fica! Larga o volante. Me dá um abraço. Um abraço apertado para que eu me perca em ti outra vez.". Hesitei.  Teu sorriso de tocar as orelhas era tão natural que permanecia em minha mente sem se apagar: a fumaça dos traços do teu rosto, perfeitamente delineadas. Te ver partir, hoje pela manhã, foi como um beijo de despedida sem o toque dos lábios. Do beijo aos meus lábios, dos teus lábios aos restos de ti, de ti a ficção que criei de ti em mim. Se eu não confiar no tempo em quem vou confiar? Em mim? Era o que eu mais tentava evitar. Não era uma boa ideia velejar, pois as ondas estão fortes e meu barco está fraco. Embora eu resista, sempre acabo em litorais. Pois minha esperança de achar no fundo da alma meu próprio tesouro perdido é meu maior dilema.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Quem sabe?

           Talvez o amor tenha meu CEP errado. E a vida seja como um jogo feito de bugs e imperfeições. O ar seja apenas uma informação rasa enquanto minha agonia e tristeza me consomem em um pedaço de pizza frio e um copo de cerveja amarga em um domingo à noite. Uma noite em que a única coisa que me resta é uma geladeira vazia e alguns amigos felizes que já não estão mais aqui. Respiro esperançoso enquanto adormeço nos braços de meu sofá novo e solitário, pois amanhã  poderia ser diferente, quem sabe o Amor acerte  CEP e conserte os bugs outrora. Quem sabe? Estou certo de que talvez.

Importante

          O importante é seguir sem precisar saber o que está guardado para nós. O importante é surpreender-se consigo e todas coisas que ainda não foram experimentadas. O importante é poder oportunizar o .desconhecido e acabar por acordar sem saber se você é você mesmo. O importante é fazer que seu destino seja esmagado diante do inesperado. O importante, acima de tudo, é perceber uma impossibilidade como um ponto de vista, e assim, viver o que há para ser vivido.

sábado, 1 de outubro de 2011

Perda literária

       Perdi. É  a unica coisa que posso escrever agora. Perdi a vontade, embora tente encontrá-la. A vontade de me fazer entender. E mesmo se eu quisesse tentar expressar sob outra produção - fosse lírica ou prosaica - seria inútil  As palavras, nesse momento, parecem ter perdido o efeito. Eu pareço ter parado de achar gosto nas coisas. Como se elas não fossem feitas para serem gostadas. O pragmatismo subjetivo caiu pelo buraco do coelho, e nem mesmo minha curiosidade é capaz de encontrá-lo. E devo admitir que isso é um tanto entristecedor. Isso esmaga o peito da gente, como quando alguém que amamos nos ofende de forma injusta. Seguir de volta o caminho de minha casa parece tão complicado quanto o caminho de volta de João e Maria. Não há migalhas de pão e eu continuo amaldiçoado. Como se eu não conseguisse contemplar mais a lógica em nenhum de meus devaneios. Tento falar de medo, de falta de esperança, de solidão, mas já escrevi mais de duzentos textos a respeito disso. Minha alma está leprosa e insatisfeita. O existencialismo analítico e a carga emocional que era suficiente em meus textos, já não parece ser mais. Meu espirito está faminto por algo que ainda não encontrei e por isso, chora pensando confusamente em toda inapropriação que está sofrendo; por todo silencio que está passando. Quando meu exílio irá acabar? Quando as palavras voltarão  a falar? Não há respostas. Então, até lá, só posso com minha própria tortura dialogar - se ela  resolver ficar. Pelo agora, sei que ainda não a perdi.



Enfim chão

Eu vi o sol começar a morrer e desaparecer
Vi a lua se partindo em pedaços - pela TV
Vi o mundo através de olhos embaçados
Vi o apocalipse anunciado
Vi a guerra dos pássaros alados - na frente de casa
Vi a mudança da vida pela morte
Vi as pernas correndo desesperadas
Vi o medo marchando - nas ruas movimentadas
Vi o beco sem saída
Eu vi teu rosto no meu
Vi as sombras se aproximando - embaixo de minha sacada
Vi os lábios tremerem
Vi os olhos gritarem
Vi a chuva lavar os rostos - no telhado da nossa casa
Vi o rosto empalidecer
Vi a luz do suicídio
Vi a espera do fim


as mãos dadas
as ultimas palavras


vi o vento em minhas pálpebras


a ultima catarse de dor;  - ao fim da queda
abri os olhos da mente.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Nada acontecia (dentro, fora)

      Um dia o sol amanheceu frio, meus pés congelados e o edredom pela cabeça . Destapei-a, mas não movi um dedo da cama. Havia passado pássaros cantando e eles todos caíram gelados assim que se aproximaram da janela. Talvez fosse tudo verde em outro lugar. E só imaginar isso era vive-lo, senti-lo, presencia-lo. Vertendo pelo seu sangue; vivo. Entretanto, só conhecia o cinza e o negro; morto. 
    O quarto era sombrio e irremediavelmente desorganizado. Sua órbita absorvia, por isso, toda vida, transformando-a em pedra e cinzas, que nunca queimaram vermelho. Não tinha sentidos para sentir, pois não usava-os. Conhecia, por um dia ter ouvido um pássaro assoviar algo parecido.
     Um tom melancólico abateu seu futuro encarcerado. Era triste não estar triste nem contente. Mas  isso nada sentia, de fato, não sentia nem a melancolia. E num átimo, a esperança não estava próxima. Nada havia acontecido. E o mundo era grande demais para ser abraçado, então não moveu um dedo. - ele pensou sobre tudo que residia lá fora. Estava imóvel, sem saber que o que sentia era falta de esperança, a qual traduzia o desespero de um dia que havia pouco começado lá fora. Preso como uma tábua oca no tanque de lavar roupa, na masmorra de um ogro. A solidez de um sistema sem luz e estático. Era muito frio, ácido e esquecido, como um poço sem fundo. O relógio quebrado na parede era uma perda de tempo. A luta inevitável contra o dia estava perdida. Já era noite e nem piscara. Desde sempre fora assim, pois nada acontecia.


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Relâmpagos e epifania

      A ansiedade cruzou a porta dos teus olhos, que, vivos, exalaram os pilares mal postos de uma casa sem teto. Momentos antes, quando percebi sua descobertura, através de um relâmpago que iluminou todos os móveis da casa, - embevecidos de dúvida e sombras - jazeu de minha mente uma fogueira e a imagem de um metal precioso derretendo-se. Girei dentro de mim até a náusea subir pelo estômago; senti pena e senti um leve calafrio;  já sentia a bile no fim da garganta e decifrei-a. Era outra pessoa em mim, uma outra senão eu. Uma simples epifania havia mudado todo meu cosmos. Senti teu medo em cada suspiro, expresso entre os intervalos dos teus beijos inúteis. A lanterna da curiosidade projeta o tremulo observar e a sombra das dúvidas. Tua boca não cessava com palavras repetidas, mutilando minha vontade, meu desejo por seu amor. Meu tempoque era meu transformou-se em meu novo e maior objetivo de conquista. Não havia mais o combustivel para nossos automoveis, nossa química estava acabada. Não ouvia sinos, não via anjos. Acabara o conto de fadas, o chão estava amargo e rígido. Haviam coisas mais importantes pendentes. As coisas mudam num piscar de olhos, só precisamos de relâmpagos.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Dialogismo ( c/ a existência )

         Vos tentais me acordar para que desenhasse paz entre vossa emoção. Se eu realmente existo, é uma pergunta sem respostas. E se eu realmente existir, em vos residais quem sois e todas dúvidas de quem devo ser. Embora meus pensamentos sejam mais nítidos do que vosso, - aqui percebe-se minha divindade: meu viés é abrangente e nele eu vejo que tudo está conectado e toda energia é migratória, procurando, incessantemente,  por equilíbrio e paz.- eu continuo duvidando de minha perfeição estereotipada e da certeza que verte da intrínseca razão desse mundo. Um sistema que falha em sua própria natureza; a fraqueza do espírito humano. A razão que ruí de seus malfeitos pilares. Agora entendo o que voz tentais me dizer. O quanto sofreste com tua sanidade, enquanto dentro de ti jazia o medo e as tuas emoções batalhando, impacientemente, pelo mero resquício de amor. Não preocupais Vincent, pois esse mundo e você, simplesmente, não foram feitos um para o outro. Sente-se, reze e escute meu conto de fadas até que durmas profundamente, coberto de glória.
        

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Prosa poética

         "Por favor, entregue o vazio de volta ao toque de minhas mãos."  Ouvi minha outra voz dizer.         
          Eu ainda sinto a chuva cair lá fora, que demora, descompassada, desliza na beirada do alpendre da sacada, distraida e destapada, coitada, sentindo o colírio das nuvens em sua superfície profunda. A chuva gélida do frio danado dos Pampas do sul: elas desciam,  as gotas, frívolas, sonoras como metal. De pouco a pouco preenchendo as gotas finais em minha piscina, de cima, eu via uma rima e um remo, pela fresta da porta, onde a ponte entre eu e o fora reside debalde. Em mim, em vão, ficou tudo. Quando, desde muito tempo, havia me acostumado com o nada. Em meus momentos escuros era tudo névoas e muros: concretos imaturos, sem forma ou conteúdo.
        Eu chorava pelo desconhecido e o imensurável mistério de cima das núvens - meus cobertores e  refúgios maniáticos. Via os algodãos se enroscarem em meus dedos e pensava que não haveria forma de não pensar; e o vazio nunca iria encontrar. "Com dois de mim, eu lá e eu cá." para mim resmunguei. Chorei até meu Outro naufragar. Como um navio afunda, num fundo escuro de um tenebroso mar. Retorcer as lágrimas ou desatar a chorar.
        Ultrapassaram as gotas do céu até a terra, das nuvens ao sobrado, na sacada do 4º andar. Eu via a chuva caindo a tarde toda, esperando o inverno passar. Descontente por não estar em pleno descontentamento recomecei a pensar,  num lugar, especialmente dentro de mim, em que em mim não há ninguem lá. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Leftovers

      Mesmo que ninguém veja, meu espirito se despedaça e se rasga como pedaço de papel. Sinto-me encurralado em um beco sem saída, ou então, sufocado como se alguem pressionasse suas mãos contra meu pescoço. Quando tudo que tenho é nada, me entrego a morte, sem culpa por nada apostar, sem nada a perder. Minha vida se encontra retalhada em peque nos restos jogados pelo chão da sala depois de uma noite de cerveja dobrada. Ainda penso que isso acontece porque nunca te deixei ir. Porque nunca acreditei que pudesses me deixar. E tu me deixou. Sem olhos, sem pele, sem coração. Sem nem ao menos espirito.  E em algum lugar, um resquício de luz tenta reagir, dizendo incessantemente "eu te amo".


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Abertura

        E eu vi um ponto de interrogação pairando sobre cada palavra que saia de tua boca. E, por isso, fechei a porta. Precisava de um tempo para pensar. Não quis saber se iria chover ou não, mas sei que haviam nuvens passando. Deixei as hesitações e, logo, sorri. Preciso de mais paciência, pensei. Como meu pai disse "tudo tem seu tempo e lugar". Era melhor sorrir, pois era o que eu sentia no momento, então, sorri e te abraçei. Deixei minha porta entreaberta, caso tu quizesses entrar ou sair, e não tenho pretensão de fechá-la - e isso faz toda diferença.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Nature

you confess
you say these words to rest
in peace with every piece that in you hast fed
but no lying to me
and no regret
if those are your feelings
there right away they might fit to me
passively agressive,
naturally
cutting my sking
piercing my bones
no bloodshed
no swords
just words in a song

Supress

It's a pity
It's a pity you are ashamed for every sin you committed
when there is no sin to life
but sin to words
the straight point has never been so bend
and now lord
where shall my behavior rest
pity of me, pity of yourself
we are animals that search for meaning in a bar jails cosmos

Insecureness

There is nothing more to be said
When the silence writes the lines with its muteness
There is nothing more to be done
When the fate is an arrow pointing to what will become
There is nothing more to think about
When everything seems so far numb
There is life and death in the midst path
waiting for live on

domingo, 31 de julho de 2011

O mistério sobre o mistério


        O mistério estava lá em algum lugar sob a sombra das árvores. Provavelmente, encolhido e com frio, enroscado às raízes daquele lugar úmido. Era uma marca que estava suspensa no ar, podia ser rastreado a milhas de distância apenas pelo cheiro. Mesmo não sendo visivel aos olhos, não havia escapatória, ele se alastrava pela terra como uma praga: uma ameaça invisível. Sem uma causa, explicação ou motivo, o cheiro apenas estava ali. Por trás de cada tronco, de cada porta, de cada esquina, em todo lugar, ele mantinha-se oculto e inexplicável. Como nos momentos de nudez, quando o maior teor de realidade pode ser tragado a base de maconha e nicotina e todas as cicatrizes estão expostas, a realidade torna-se subjetiva, impecavelmente, desolada, nem abstrata nem concreta, torna-se sedutora e um objeto de desejo. E jaziam palavras de cada buraco negro, até formarem o cosmos, os homens, os códigos, as sociedades, as culturas e as crenças. Mas o que aconteceu antes? E o que não foi dito? E jazeram elas por qual motivo? E não basta a loucura de viver o cotidiano? As cicatrizes são resultados, e por isso, provem de um ato anterior, que nessa floresta não foram explicados - não nessa noite. As respostas precisam de pergunta para serem respostas. E o que é o mistério? A abstinência da informação não-compartilhada? Descobrir o desconhecido no que já é  conhecido? Perguntas. A dor, saber da dor, ou se ela mesmo existiu, pois ela é um processo, no qual deriva a mares repugnantes. E a dúvida? O que resta é duvidar... Talvez só o tempo fosse apaga-lo. Pois é ele que absorve a vitalidade dos segundos. Talvez só a morte fizesse esquecê-lo. Precisam-se de ações urgentes a seu respeito. O mistério... precisa ser ignorado.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cairam as respostas assim como eu

         Foi por mim que atravessei a noite passada, por mais ninguem. Sem segredos, parti em queda livre, caindo no escuro cada vez mais. Aonde está o problema na dor? Onde estava a dor? Me perguntei. Mas a resposta foi o eco da batida despreocupada de meu coração. Minha agonia pairava no quando, no suspense de não saber, no divertimento do adivinhar, na tensão da ausência, na interrogação que é o amanhã, na expectativa de cair para ser segurado nos braços e levado para casa. No entanto, havia um estranho ao meu lado, e por um segundo, me senti perdido, dentro do quarto, em meus pensamentos. Culpa da minha fraqueza, carência, falta de valores, e talvez, hiperatividade. As palavras se perderam em um mar de delírios e caíram sobre mim, carregando-me a favor da gravidade.  Meu corpo já estava cansado e minha mente ricocheteando os mesmos pensamentos. Então, conclui subitamente que não havia nada que eu pensasse que fosse mudar qualquer coisa, pois não havia nada para ser mudado. Meus olhos já encontravam minha alma, desligando-se de mim, envergonhada, encolhida no encosto da cama naquela noite. Enquanto, hoje, naquela noite, agora, eu caio sem atingir lugar nenhum aderindo a uma constante de eventos desagradáveis e tristes, feito uma reta sem curvas, um rosto sem riso ou um mar sem ondas. Sigo o que quer que esteja pela frente. Caindo, atravessando as noites, os dias e a vida a cada instante.

domingo, 24 de julho de 2011

Último esquecimento

         Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

         As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e ações de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.

        É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.

       Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injeção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.

        Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

       O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.                                                     
                                                                          

sábado, 23 de julho de 2011

Forma ao passado

          À espera... à inércia... à distância... à incerteza. 
      Todas contra mim, corroendo-me aos poucos, - como a ferrugem ou o cupim - tornando minha aparência apática, letárgica e sem um brilho de vida (para os menos poéticos, leia-se, sem expectativa.) Um momento desesperado de fragilidade, no qual tudo parecia estar estático, longíquo e impessoal. Foi a um arco-e-flecha que me entreguei, baixei minhas defesas e tornei-me vulnerável. E, adivinhem, pronto, fui atingido em cheio. Nesse momento, arranjei um lápis, e me segurei na única coisa que sei fazer ( penso eu ): torcer as palavras, lapidar ideias confusas, torná-las legíveis e estridentes. Meu objetivo, foi, como sempre, tentar entender, ou fazer-me acreditar, no que é o certo ou o errado; no que aconteceria ou o que permaneceria no 'pause' na minha vida. Senti um vento peculiar cruzar da janela à porta do banheiro naquela noite, arrepiando os pêlos de minha nuca. Logo, lembrei-me, como uma profusão de pensamentos altamente sinestésicos, dos teus súbitos suspiros... ufff... tuas carícias inacabáveis em meu cabelo macio... teu perfume me afogando em prazer... o sorriso ensolarado... ahh... tua calvíce estranha e íntima... a pele do teu rosto ali, no espelho da minha frente, torrada da viagem ao Nordeste... nossa... e o cheiro insuperável do bloqueador solar... e como eu te amava... os lençois divididos durante todo aquele largo tempo... tu, nú, jogado sobre mim, meu fim. Mas o sorriso sempre veio das realizações malignas, não? Não eram as hienas os cães do demônio? Ironia e perseguição. Por quê? Aquela dor que senti, o sentimento de roubo, a falta de promessas, a discrença (que ocorre quando não se tem no que acreditar); essa dor, não era tua. A presença da tua dor transportou-me para as minhas mais profundas e intensas memórias. Tu nem sonhas com isso, contudo, acordaste o abismo em  mim, e eu o temo.Por quê? Pois nenhuma corda é longa o suficiente... nenhuma.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sentido da perda

          Acostumei minha mente e treinei meu coração, mas não foram tão bons quanto eu esperava, pois eles, hoje, me falharam. Era como se o seu sangue vertesse de meus olhos castanhos e distorcessem as coisas que vejo, toco e sinto. Era um sentido de perda irremediável, pois junto ao veneno, a pureza escorregava por meu rosto, percorria meus braços, sem parar, atingindo, por fim, a ponta de meus dedos. Não havia outra maneira de descrever a dor de deixá-la ao chão, de perdê-lo de vista. Não havia outra maneira de descrever o quanto senti-me roubado.
         Era como se, no inicio, ele houvesse construído casas em meu deserto; criado cacimbas para matar a sede da minha esperança orfã; organizado uma comunidade; plantado e cultivado hortas; produzido um universo de folhas e plantas, um lugar em que se respiram elas e se absorvem a pureza delas - dada de bom grado; ganhado a confiança de seus moradores... quando, então, senti em suas palavras a força bruta. Feroz e impreciso como um furacão invisível, você despedaçou meu mundo, devastou minhas hordas, secou minhas cacimbas e queimou minhas casas.        
        Me dizes agora que isso tudo foi pra se proteger? De mim. De nós. Da distância.(Talvez você não possa ser) Existem caras e caras, mulheres e mulheres. E a mais simples resposta seria: você não era nenhum dos dois (talvez como eu não fui). Por isso, acostumo minha mente cansada, todavia atenta aos mais mínimos detalhes. Por isso treino meu coração, para qualquer queda brusca. E o sentido da pureza, não vem das plantas, nem das flores, vem da minha própria existencia, e essa, nunca será corrompida.

domingo, 10 de julho de 2011

Sinal Verde

         Da aula de volta pra casa estava com uma tremenda dor de cabeça. Parei no sinal e a reconheci na faixa de pedestres. Seus passos curtos, as mãos enterradas no bolso e a manta da sua mãe. Foi inconsequente, imaturo e egocêntrico. Ao passo que nos aproximamos nos distanciamos mais e mais de nós mesmos. Mas, houve um afastamento – grita o meu subconsciente – Ou não! – grita o meu Id, controlador de araque. Só que após 5 anos, meu coração ainda respondia ao estimulo de sua presença; a pele suave, a expressão de um sorriso, de fato um sorriso um pouco amarelado, ensolarado; a linguagem poética, as mãos simetricamente largas de dedos fininhos; a sua voz aguda, afiada, tipo alfinete, embora levemente melódica, aspecto comum a uma porto alegrense, que toda vez que fala, parece piar como um  pardal ao acordar, e por último, mas não menos importante, a memória dos muitos orgasmos. Quem era ela afinal? Eu sempre batia na mesma tecla. A mentira nos contaminou como um vírus e nos entorpeceu como droga. Lembro quando fazíamos chá de ervas e tendíamos as ideias floridas do movimento hippie na época. Escutámos Elis,  Cazuza, Beatles, Pink Floyd, Rita Lee, e sim, fazíamos parte de uma resistência ideológica, e por isso, vestíamos as jeans. Foi triste a morte de John, Cazuza, Renato e, é obvio, de Caio F. Nos tornamos o que não somos e dissemos o que não diríamos. Mas, absorvemos muito por isso. Falamos uma língua que não era a nossa e nos entregamos sem realmente tirarmos as máscaras e conhecermos de verdade a nós mesmos, despido de culpas, de promessas, não estivemos crus em frente um ao outro, e não nos amamos. Progressivamente, em frente ao espelho, nos tornamos vampiros: irreconhecíveis, invisíveis e desinteressantes. Afastamo-nos dia a dia do nosso verdadeiro Eu, vivendo personagens de uma novela mexicana, encenando a vida real, nos apaixonando e odiando pelos nossos próprios personagens e toda atuação e literatura nas entrelinhas de nosso conto. E se hoje me apaixonei por ficção, tenho que agradecê-la, pois a culpa é dela. Quando subitamente percebi o vazio em minha volta e, também, a sua ausência, o sinal estava verde. Desde então me pergunto se também sou a leitura de um livro inacabado para ela, e se um dia anda teria a chance de conhecê-la fora dessa tragédia clássica. Guardei meu carro na garagem do condomínio, no estacionamento 9, e foi ali que cheguei  a conclusão: - só o destino, ironicamente, falará... –  não há conclusão.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Infelicidade condicionada

       E se isso te fizer chorar? E se eu apenas te fizesse sofrer? E se isso tirar sua respiração? E se você estivesse melhor sem ler isso? E se isso te fizesse pior? E se eu não pertencesse ao seus olhos? E se você não fosse a chave das minhas respostas? E se você estivesse melhor sem saber? E se voce sempre tivesse minha ausência? E se voce não tivesse sabido? E se isso for a ultima conversa? E se você nunca perdesse a esperança? E se isso te fizesse pior? E se você soubesse que já não existe  pra mim? E se eu te dissesse que você nunca existiu? E se você, então, nunca mais olhasse para tras? E se eu não tivesse dito que por falar sobre você isso significaria que nunca tirei você de minha cabeça? E se fosse alguem que não sou eu? E se tivesse medo de ser eu mesmo? E se tentei te impressionar? E se você nunca me conheceu? - O que eu fiz?

Setas e sinais

       Sem direção. Sintia minha alma vagar estranha em um caminho sombrio e voluptuoso. Onde as paredes eram da textura de troncos de rosas inacabáveis, contendo de quando em quando um espinho lá que outro - espinhos que cortavam toda vez que segurava-me evitando uma queda drástica. Dançando sobre pontos de interrogações e deixando pra tras cada pedaço de mim, lá dentro. Sintia o prazer indesejável da curiosidade do que  poderia vir depois. No entanto, a dor da presença da ausência do sentimento sincero, no tempo presente, tinha um paladar amargo e angustiante. Era como se estivesse despido de esperanças e a única coisa a fazer fosse continuar vagando, sem destino, sem enredo, cego numa trajetória secreta, irreversível e intrinseca, em busca do elixir da vida, a  razão da existência de qualquer ser humano. Ou seria tudo isso apenas destino?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Fim de noite

        Fim do dia.
        Ele caminhou no escuro até o feixe de luz que invadia o quarto. Se aproximou do espaço entre a cortina e o restante da janela destapada. Cansado, jogou o casaco sobre a cama e parou para observar as estrelas minutos antes de dormir. 
        Tinha sido uma semana longa de trabalho e não havia se dado ao luxo de encara o céu com seus olhos esbugalhados fazia algum tempo. Nem ao menos lembrava o nome dos asteriscos flutuantes no manto negro que cobria o lado de fora de seu apartamento.
        Não via nada além de problemas: suas contas, suas tarefas, sua vida, a garçonete de 30 anos, sua ex-mulher, a pensão, seu entiado, seu carro quebrado, seu cigarro (que estava no fim), sua carta de demissão, o beijo repentino do seu colega de trabalho, a chegada de sua irmã que vinha do interior, a morte de Osama, a criança atropelada no jornal, o chuveiro elétrico que estragara de vez, a comida do cachorro do vizinho que viajara em férias... e muitos outros asteriscos. 
        A sua concepção de "fora" já se distorcera do nível denotativo, transformando-se em uma extensão de sua própria imagem, ou, diga-se de passagem, outro problema. Em outras palavras, olhar para fora estava sendo uma árdua tarefa. Olhar para fora de sí; para fora do apartamento; para fora da biosfera. Era como pensar um corpo estranho e mergulhar em um mar de dúvidas e incertezas; afundar-se em um desespero sem motivos e sem destinação; como embarcar em um onibus sem placa ou destino; como defrontar-se com outro infinito, vasto e, ligeiramente, sombrio - do jeito que é seu quarto. Escuro, espaçoso e vazio. Seria a presença de mais um quarto desses, e a sinalização de algo muito além do que apenas um fim de dia; poderia ser o seu ultimo cerrar dos olhos. Suava frio. Sentiu seu sua testa enrugar e a água das curvas do cabelo escorragarem por entre as cavidades da velhice de sua pele. Ele tinha medo de se perder ainda mais... e... foi.
         Tinha medo de se perder para sempre num lugar sem sentido, sem esperança, sem o que conhecia. Como se em algum lugar pudesse haver isso - ele pensou em pensar nisso. Quando seus olhos piscaram, sua visão amanhecia, assim como uma criança vê, conscientemente, pela primeira vez a luz do sol. Suas mãos agarraram o endredom. Estava muito frio, silencioso, vazio. Mas ele viu, suas mãos escoregarem e, num risco, a luz esvair-se. Suspirou. Sentiu um alivio cercando-o pelos lados e a sua mãe buscou-o na escola. Seus dedos enroscaram-se. Não podia parar de abraçar sua irmã. Seu corpo inteiro, então, estremecia. Seu pai riu na mesa, e disse "vai pra lá, tu vais ser muito feliz, é pra onde todo mundo vai, tu vais ser o que tu quiseres meu filho." Ele chorou e chamou-o.
       "Onde eu estou?" ele perguntou.
        "No infinito." seu pai respondeu.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Repetição e Desordem

      Existe uma satisfação em identificar o identificável, mas já está tudo muito repetitivo, redundante, reiterado, renovado, reprisado, reprogramado, restaurado e tantos outros rês.  Nesse momento, isso soa mais como a praga do século 21, a globalização do ontem, a descrição da inenarravel parada cardiáca e acima de tudo a infelilicdade potencializada na ideia já pensada. 
     As vezes o maior sentido é não ter sentindo nenhum, combinar com o incombinável, desfazer o fazido (não o feito), que conjuguem  inconjugado, dessistematizem o sistematizado, que batuquem outros ritmos e cantem outras musicas, que leiam textos na diagonal, que inventem uma nova forma de agir.
     Virem o jogo.
     Embaralhem a mesa.
     Joguem as cartas.

Quando nada acontece

      A tarde passava como um vulto por mim, assim como tudo o que não passava. Eu continuava parado observando pelo angulo mais obtuso a silhueta das pessoas na fila, imaginando coisas que poderiam acontecer ou talvez as quais realmente aconteciam nada vida de cada um ser cromossomico ali, a espera de um papel monetário.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Mudança de Vozes

Não mais. Ele era um rei. 
O rei inabalável de uma távula redonda. 
As Terras Planas necessitavam da gestão de um rei com tal força e habilidade como a dele. O nome desse rei, no entanto, era Felicidade.  Seu império era composto por milhões de suditos que ainda acreditavam na prosperidade e na saúde de seu povo, os Amantes.
Mas, algum tempo atrás, em um dia chuvoso no qual o mundo desabava com raios que atravessavam o horizonte por cima das alamedas ao redor de seu castelo, viu seu Amor por trás da vidraça da cafeteria da esquina com um outro homem. Naquele dia chuvoso, vestiu a armadura, empunhou a sua espada, segurou seu escudo, e entrou na cafeteria. Hesitou no vão da porta dupla, a única entrada e saida do bar. Então, observou o campo de batalha... ao preparar-se para atacar ficou perplexo, imóvel, logo quando ja tinha o ar em seus pulmões e as palavras em sua lingua, aquelas distantes e frias...  mas, eles estavam discutindo - quem era aquele homem... aquele homem que a xingava e espalhava a hostilidade naquele lugar? quem era aquela pessoa que dizia a ele "tu não mereces meu amor; nao merece minha mão,  quiça o meu 'oi'; não mereces minha jaqueta à noite, nem o café da manhã; nada de sinceridade, nada de gentilezas... e no inicio era diferente... tudo pra dizer depois que não gosta de mim....não merece estar comigo..." - Contigo? Eu pensei. Haviam outros castelos, era isso! - E o homem continuou "Não fazes parte de mim mais, nem que eu queira... porque tu não tens nada a ver comigo." Ele se virou cabisbaixo e correu choramingando em direção a porta, ele me atravessou, como séculos não havia atravessado minha alma, - como ele não tinha me visto? - suas lágrimas escorreram em meu peito e deslizaram em meu coração, a dor, por isso, foi se instalando aos poucos, e meu nome Felicidade, borrou, como numa folha de caderno, ocasionando apenas em um reino caindo aos pedaços, cheio de incertezas, e por fim, até perceber que ele, fui eu.

domingo, 19 de junho de 2011

Inverno dos dias iguais

              Não havia um mocinho ou um bandido na história, mas interesses que desencontravam-se inflando pulmões com fantasias e realidade além de uma homérica cumplicidade.
              Aquele inverno estava passando e pairava no ar uma atmosfera inquietante que parecia expremer corações feito laranja. O fogo da lareira, dessa vez,  não os acalentava e mantinha-os quente; ele destuia-os, despedaçando os corpos e as mentes daquele nevoeiro inacabavelmente resistente. Cortante, como ponta de faca: a cada palavra, a cada memória, a cada fotografia e respiração. Um suicidio do interior pedia vinho e mais uma música pesada de melodia romântica. Mais uma lata de cerveja e o fogo ainda ardia, assim como o fato de não ser apagado, pois ele tambem era eterno e a  razão da vida: o tudo e o nada, a guerra dos derrotados e a luta mais recompensante. Assim como lá fora, por dentro a chuva era pesada e devastadora bombardeando o asfalto com pingos de toneladas, que destilava a alma da tristeza daquele inverno inspirador e catastrófico.
           Estava tudo à beira do inconcluível fim, o fim de um começo. E era notório... já haviam passado dias e ainda não haviam sinais de que o tempo fosse acalmar, pois a tempestade não acabara. A selvagem tempestade não acabara  mesmo sem as nuvens cinzas sobre os corações. - o relevo original de todos aqueles sentimentos irrevogavelmente extremos, agressivos, vitais e, é claro , mortais.
          Já estava na hora de olharem para dentro de sí, e deixarem a chuva cair nos carros do estacionamento vazio. Era tempo de não cronometrar o tempo... por mais que ele conversasse com o tempo  dos interiores,  dividindo sua agonia e acompanhando sua trajetória...      trágica e solitária.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A sua própria casa

        A minha pergunta, que do ponto de vista racional é retórica, havia sido "aonde eu pertenço?"  Saquei um cigarro de onde costumava por minha luvas. Acendi-o. Apenas mais um cigarro e as preocupações desapareceriam de meu rosto, pois seria tempo suficiente para tirá-lo da minha cabeça e materializá-lo diante dos meus olhos. Eu dirigia meu carro tentando palavras que não gostariam de ser expulsas de meu peito, pois se ele fosse, eu iria. Iria para Londres, Dublin, Paris, e em meu maior desvairo, para Amsterdan. Já não tinha medo de minha vida, ninguem deveria quando se é confrontado com o simples sentimento que torna-o subalterno das impossibilidades, que lhe causa angustia e ao mesmo tempo vontade de viver cada vez mais, cada respiração e cada segundo que vale a pena: o amor. E, agora, quando aquele ditado parece imensamente enxarcado de sentido "felicidade só é sentida quando compartilhada" minhas opiniões e atos reinforçam minhas convicções. O cigarro... joguei-o pela janela. Já sintia teu cheiro, já via seu rosto e, finalmente, sintia-me em casa.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Alfabeto A-Z (passado perfeito)

Abraçei teus braços
Acariciei teu âmago
Acalentei tua ideia
Bebi teu liquido
Bati meu coração
Brindei teu sucesso
Caminhei a teus sentimentos
Caçei teus interesses
Comprei teus versos
Dormi teus sonhos
Dilubriei teus pesadelos
Despi teus pensamentos


...
Li teus lábios 

Marquei meus dedos
Mexi com a saudade
Mergulhei em profundidade
...


Percorri teus beijos
Permaneci em teus seios
Protegi tua vida
...

Vivi você.

de A - Z.

A mulher dos olhos da água

Suas mãos escorregavam e a água transbordava. Seu último som foi trêmulo e asfixiante. O barulho de seus pés eram graves contra o azuleijo e a luz alaranjada enfraquecia em frente a suas pupilas tornando-se borrões na imensa escuridão que a tomava.

       - Abri os olhos e te encontrei parada na porta da cafeteria. Tinha dormido vinte e poucos minutos esperando tu chegares. A vidraça já estava embaçada e fazia menos de 10º lá fora. Tu te aproximaste e me disseste que já não saberia se continuaria me vendo naquele horário e que o melhor era pararmos com tudo. Te perguntei por que estavas dizendo aquilo enquanto arredavas a cadeira - quando teu cheiro, então, afogava minhas narinas, ele alucinava minha imaginação com as velhas transas e filmes que assistiamos; as músicas de canais a cabo dos hoteis de beira de estrada que ficavamos em noites tediosas; sem falar no banco passageiro do meu caminhão que sempre ficava impregnado com a ideia de te ver mais uma vez. - Tu tentaste te explicar e disseste de novo que era tudo muito rápido e que precisavas de um tempo. Ainda não tinha entendido, sempre contive em mim um pensamento racional ao ponto de esquecer que as pessoas poderiam mentir. De repente, teu celular tocou e tu pediste um tempo. Te levantaste e foste ao balcão retirando um cigarro do bolso da calça jeans. Ouvi uma conversa, meus ouvidos estavam curiosos para alcançar teu tom e minha consciencia queria a razão de teus atos incompreensíveis. Olhaste para mim e disseste que tinhas uma carta pra mim, deixaste-a  sobre a mesa e partiste. Percebi o olhar periférico e indubitavelmente estressante dos olhos claros de teu rosto. Logo que saiste, minha mulher havia ligado, desliguei o telefone pois precisava decifrar a carta. Já em meu quarto, sentei-me sobre a cama imunda daquele hotel fuinha e, finalmente, a li. Tu estavas com outro homem e nada mudava as coisas para mim. Não até o momento de tu descreveres o amor que já sentias pelo outro. E digamos que como leitor sou um lobo... senti de longe a intensidade de teu sentimento e, além disso, li a profundide dele, pois percebi que tua alma pertencia ao infeliz e azarado cafajeste que achava que iria roubar-te de mim. Pois, então, ele se enganou, pois parece que seus olhos fecharão para sempre agora.


Medo do que causa medo

Assombram as palavras definitivas:

 Assombram e colonizam um *asterisco, chamam-lhe por um nome, chamam-lhe por codinome.
- e, por fim, jogam-no em rodapés ou sobras textuais desmedidas: o significado do significado insignificante;

Assombram as concepções imbatíveis, que não quebram, que são livres e felizes, que não choram - como se fosse uma relação de religião sem espírito;

Assombram as pedras, o asfalto, os edifícios e o concreto - toda não-vida imóvel e imutável: do acelerador ao carro- as convenções e o trânsito da vida;

Assombram as convicções, os príncipios, as tradições e as exurbitáveis ideias: do fanático ao insustentável - o beijo e o isolamento;

Assombram o tudo e o nada, o ser e o universo, a harmonia e o caos, e, a vida e a pós-vida;

Sobretudo, assombra:
o homem, o humano;
a humanidade.

*É empregado para remissão a uma nota no pé da página, ou no fim do capítulo ou do volume (podendo, nestes casos, vir entre parênteses, ou seguido de um arco de parênteses, ou isolado). Também é usado para substituir um nome que não se quer mencionar (caso em que se usa em grupo de três, dispostos horizontalmente.



domingo, 12 de junho de 2011

Expressão

"A expressão de que não há nada a expressar, nada com que expressar, nada a partir do que expressar, nenhuma possibilidade de expressar, nenhum desejo de expressar, aliado à obrigação de expressar."



Trecho recortado da obra "Três diálogos com Duthuit" (1949), de Samuel Beckett.

Fim de partida

"Um dia você ficará cego, como eu. Estará sentado num lugar qualquer, pequeno ponto perdido no nada, para sempre, no escuro, como eu. Um dia você dirá, estou cansado, vou me sentar, e sentará. Então você dirá, tenho fome, vou me levantar e conseguir o que comer. Mas você não levantará. E você dirá, fiz mal em sentar, mas já que sentei, ficarei sentado mais um pouco, depois levanto e busco o que comer. Mas você não levantará e nem conseguirá o que comer. Ficará umtempo olhando a parede, então você dirá, vou fechar os olhos, cochilar talvez, depois vou me sentir melhor, e você os fechará. E quando reabrir os olhos, não haverá mais parede. Estará rodeado pelo vazio do infinito, nem todos os mortos de todos os tempos, ainda que rescucitassem, o preencheriam, e então você será como um pedregulho perdido no estepe"

Samuel Beckett

Cansaço

Cansei. Cansei de conferir sentido a um mundo desnutrido de significado.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Alienação do Sujeito

Estou coberto pelo nada.
Destituido de roupa, pele ou idéias.
Sou o eterno turista do mundo em que vivo.
Sem nome, raça, território ou língua...
Miserável pela ótica da escassez,
desnutrido de pensamentos e ideias.

Sou vivo! Sem fundamento.
ou a ausência da razão para a emoção de viver.
A única coisa que tive foi a possibilidade.
A possibilidade de ter alguem ou algo,
que no final, escapou em mim pela porta dos fundos:
escorregou por entre meus dedos deslizou pelo meu corpo e atravessou o ralo:
tornando-se parte:
do que me questiona;
aliena;
do que torna-me desumano em meu próprio mundo
- de mentiras e regras abstratas.

Não sinto-me alguem ocupante ou desocupante,
pertencente ou desapegado
- da terra, da água, do ar, ou fogo. - do espaço.
Sinto-me pertencente a minha insignificação,
e agarro-me a ela com unhas e dentes
pois é ela que agora me motiva.

Bipolaridade

Dualmente, ás vezes, da admiração transitava-se ao vômito;
do paladar suave transmutava-se a bile;
do contemporâneo limitava-se ao primitivo;

E minha expectativa - e repulsa de um pessoa que sente e pensa de forma incoerente, confusa, polissemica, e, infelizmente, arbitrária. - era, apenas, um abraço.

Nuvens e pensamentos

Um dia tudo que foi dito não existirá.
Não haverá pessoas. Não haverá tudo.
Os pensamentos vão passar como nuvens;
E, quando souber que não existirão mais,
desaparecerão assim como a luta
pela razão de existir do Teu  - "eu".
Um dia tudo que foi dito não valerá.
Não haverá sentimentos ou pensamentos:
Nem sofrimento; nem solitude; nem desejo.
Esperarás pela vinha secar
e o sorriso jamais voltar; nem o choro retornará...
Na quinta-feira-vazia, inesperadamente,
como o vento transcorrerás minha alma
soprarás meu coração, desencherás meu ego
e cortarás meu hibernado coração.
E assim reviverás.

sábado, 4 de junho de 2011

Penso todo dia

Todo dia penso em ti.
Quando entardeço penso em ti.
Quando anoiteço penso em ti.
Quando amanheço penso em ti.
E, quando não houver mais dia, ainda pensarei.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Terça

       Marte acordou em mim a Babilônia de minha pior terça-feira. Abro meus olhos em uma cama vazia, os dias passam e as estações mudam. E, em meu calendário, a terça-feira torna-se eternidade. Já não sou capaz de sonhar acordado.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

0%

     Estou em contato com minha natureza mais do que nunca. Afogado em um momento em que emoções atravessam o sangue pulsante e interagem com o batimento do meu coração. Persuadem meu cérebro a enxergar coisas que não existem através das janelas da alma. E até a dor se esvair, um quarto de mim, fisicamente, permanece saudável. A razão fora assassinada, deturpada e corrompida pelos filmes americanos e a literatura canonica: a típica cena de um filme sem direção; a típica narrativa de um homem em crise. Ao som de Nocturne Op.12, de Chopin, relaxo acompanhado de uma taça de vinho divagando em minha liberdade introspectiva. A cada gole, distancio-me mais do exterior, e a cada batida aproximo minha imagem às ideias insensatas do improvável. E agora, já dizia Renato tomado pela mesquinha comoção cultural, "quem disse não há Razão nas coisas feitas pelo coração.", contrariando a lei da impossibilidade. Não me  orgulhp por mim, nem vejo beleza nas coisas ditas, apenas admiração sobre o não-dito. Todos nós temos em cada um, apenas parte de sí. Lá fora, procuramos culpar o outro na tentativa de nos reencontrar. Nunca poderiamos ser nós mesmos, não é natural. Nem eu, nem mim mesmo.

Palavra-chave: palavras

      Sou palavras de um livro nunca lido. Sou palavras de uma página que foi deixada para tras. Sou palavras que nunca foram ouvidas. Sou palavras que doem pela presença da ausência de diálogos. Sou palavras de uma narrativa sem graça, sem nome ou telefone.
      Sou palavras de rancor, de medo e de angustia. Sou palavras de um conto infantil com um significado maduro por tras dos sorrisos. Sou as silabas da música, letras sem tom, palavras sem melodia.
      Sou palavras não-entendidas, cheias de letras vazias. Sou palavras de orações inexpressivas, mas densas. Sou palavras que tentam e choram sem chorar. Sou palavras que me definem e distinguem-me.
      Sou palavras sem filtros e acelerador, sem memória e marcha. Sou palavras de sílabas, sem sibilantes ou bilabias, afônicas. Sou palavras escorregadias e despercebidas: aéreas, chuvosas, cinzentas, intermináveis.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Imprório: a lei

       Não tenha raiva de mim porque te matei. E antes foras meu amor. Por que a lei tem que mudar?
       Só te dei a resposta pras perguntas que procuravas: uma taça, um conhaque, um vinho e um chocolate. Enquanto isso, num cenário, subverso resolvi ir te buscar:  te vi beijando o céu pela boca dela menina da beira do mar, devagar, litiginosamente, movendo os lábios serpenteantes, em seus olhos fogos de luz estouravam sem parar. Até o taxi que chegava de carona lhes levar. Engrenando as mentiras, no telefone, sem receio d'eu te achar. Mas do apartamento ao lado, pude a noite te fitar. Semi-nua com a nua da Luana na varanda do Motel Paraná. Quem um dia então dirá?
      Talvez nunca sarei a alma, talvez nunca sarará. Por que a Luana de lua maltina, resolvera se casar? Com minha almada no autar, com meu amor em triste estar, queria só saber porquê a lei um dia foi mudar?

Cruelty from a burial view

         Basically,  I'm still dreaming a cruel reality in which smiling is no longer part of our world, and our world is as imaginary as our souls. In my world  even the plastic trees are dying out fed by our completely absence. My world fulfilled with emptiness, represents with nothing the weight of everything above our shoulders. So much so, my mouth is soaked up in soil and ground whereas my head flies round above beyond the sky. Therefore, I'm still dreaming a cruel reality.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Alto

         Um desenho jogado ao canto da tela de um pássaro chama minha atenção e causa coisas. Escrever sobre o que se sente está irrevogavelmente associado com quem você é, e por isso, a necessidade desse resgate da reflexão sobre o pensamento que me constroi até o momento presente, além de descrever sutil e criticamente meus movimentos. Pensamento que quando alça voo, personifica-se em um pássaro cinza de asas azuis alongadas. Pintado em minha varanda, atrás de um cabo de vassoura. Suas penas azuis, seu bico agudo de 15 centimetros e olhos obtusos de curiosidade, agitam-se, planando sobre as rapinas. Livre. Sem ao menos saber o que procurar.


     

Pessoalidade

    
     Ao que me parece racional e lógico, sou a representação perfeita da imperfeição e de uma falha irremediável em encaixes, tanto do ponto de vista do padrão emocional quanto ao paradigma da formalidade. Minha justificativa mais sensata seria a incapacidade de apreender as bases do que já foi comportalmente representado e significado. Essa falha acaba por esculpir-me desastrosamente, projetando um alguem inconsequente, estranho,  mongolóide,  irresponsável, trágico, incoerente, excentrico. Embora seja tudo isso, talvez, a definitiva caracterização própriamente minha sobre mim mesmo, ou seja, apenas letras sem valor, palavras sem sílabas, orações sem virgula, alguem sem alma, ainda caio num abismo profundo a procura de quem sou eu ou você, e todo o resto os motivos da sua ausência. 

     

Orgulho e vergonha

    Ainda que relute na crença de que existe um novo Eu em mim, e que tudo que passei foi a soma de quem hoje sou em minha superfície, a verdade prevalece vencedora em meus momentos mais íntimos, solitários e vulneráveis. Toda minha complexidade torna-me pateticamente vulnerável e inquieto. E se um dia a onda do breu das memórias tapar meus pensamentos e desmembrar meu coração? A mesma luta, por acaso, persistiria até a ultima respiração?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Metaphors

Set my eyes to sleep while August sings a warm symphony.
You are the unpaged lines; the story untold; the restless dreams; the light of my solutions;
How dare we attempting to control everything?
Embracing the rain.
Counting the uncountable
Singing to the deaf.
you are the complex number; the question mark; the untraceble relative clause.
Set my head to sleep while Winter sings a cold symphony.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Semente

           Hoje a noite aconteceu algo bem curioso. Em um aniversário havia esse garoto de 7 anos que brincava com uma menina. Por algum motivo ele caiu no chão e a menina foi para volta da mãe dela. Até aí, nada de tão interessante, a não ser pelo fato de ele permanecer no chão agarrando o dedão do pé. "O que tu fazes ai jogado no chão tche?" perguntei curioso. E ele me respondeu "Por que elas são assim?" Bom, nesse momento começa o que eu caracterizaria como curioso no início do texto. O menino continuou "Por que elas fazem esse tipo de coisa?" Não comentei nada, apenas ri e pensei "nossa, aonde ele está indo?".A menina então voltou e disse "Ainda tá doendo?" E ele disse "Tá, né." Não era proposital eu estar ali presenciando a cena, pois meu objetivo no quarto era terminar de colocar as meias e o tênis. Ela saiu do quarto novamente, e ele se virou em minha direção e continuou "Mulher é um ser complicado, né?" Era, no mínimo, engraçado ver aquele garoto  reproduzindo aquele discurso tão tradicional com tanta convicção. "Elas pisam no pé da gente sempre que têm oportunidade, que saco." Eu comentei "Vocês estavam brincando. Acontece, ora bolas." Ele me olhou, levantou-se, enrugou a testa e colocou as mãos na cintura me encarando. " Vem cá, por que tu acha que eu falo pro meu dindo que não é bom namorar, eu digo pra ele, dindo não namora porque mulher é complicado, por isso que eu digo...". E, de repente, ele correu para fora do quarto. Achei uma situação engraçada, mas ao mesmo tempo reflexiva em relação a criação de nossos filhos e filhas, interessante de se postar.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Minha defesa: medidas euripedianas

    Minhas orações contém várias vírgulas. Minha opinião é formada através de várias objeções. Meus textos possuem muitos apostos. Meu suporte é estar subordinado.
   A incoerência entre o paradigma do real e da teoria torna-se um embate ignoto do conteúdo substancial amorfo contra o discurso autoritário. Tambem serve como  uma carcterística que marca um posicionamento ideológico e moral, que tem por natureza resistir a erudição formal, a velha forma mítica das já não novas formas racionais.
   Silencio-me diante do inexplicável, - ou ao menos o todo, fragmentado, que precisa ser resignificado por partes - ou o minimamente complexo.
    Nada em jogo, tudo a perder. Ainda que o poder esteja nos andares superiores, o conhecimento reflexivo epistemológico mora no apartamento inteiro. (um posicionamento sartriano)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Inspiration

Se no teu sorriso teceu-se o paraíso, a tarde mais ensolarada encontra-se enxugada na madrugada dos teus lençois.

Comments on New Friday 13th

     I was bored at home and decided to download some stuff kill some fucking time. All of a sudden, I just came up with this idea about watching horror movies. Absolutely, new stuff was outta range. I wanted something to remind me the good old creepy time i had at night struggling to get through the dawn. I downloaded 'New Friday 13th.' 
      Why did I do that? I'm still asking myself, since i've been told it was just another american pos hollywood horro movie, but i fought against my skeptical head and put all prejudice aside to give it a shot...  :S
       Almost every horror movie has insanely large holes in the plot and unbelievable action in it. But the GOOD ones dont let you notice that shit ,because you are too scared or having too much fun with the ride, like the original Nightmare On Elm St, or ALIENS or FLY...  But this new FRIDAY has a HUGE hole that was overlooked so quickly i’m wondering if anyone even questioned it during production. They make another drastic decision to make Jason NOT supernatural. (i knew he was a normal person, i thought i've seen him these days in my neighborhood ¬¬) He isn’t a zombie, he doesnt get revived by lightening, he’s not a monster, he’s simply an aging survivor that is revenging his mother’s death. OK, fine,  cool, i can accept that decision, make it more REAL and GRITTY (the new american trend -  narrowing the boundaries between reality and fiction :S). The filmmakers have gone to lengths saying that this new Jason ISN’T supernatural. HOWEVER, pay attention on the incoherence...  in the beginning of the movie, Jasons mother says that Jason has "drowned" and he is "DEAD". (he surely is my neighboor :D) Then, an 8 year old, naked, retarded Jason is seen ALIVE witnessing his mothers death. So I have 2 questions t

1.) If Jason WAS dead, how the fuck was he standing there watching his mom die, and then AGE ?and GROW ?over the years. And if he was really ALIVE, what kind of fucking mother would just ASSUME that her  handicapped and deformed son is dead just because she saw him swimming??!!

2.) After witnessing his mothers death when he was 8, standing in the rain, in all of his naked and retarded glory, how the fuck did he SURVIVE for 30 more years after that. He lived by a lake and he COULDNT EVEN SWIM! And he was mentally and physically handicapped??! Excuse the pun, but I find it retardedly hard to believe that a clueless mentally challenged deformed kid wouldn’t try to at least ask SOMEONE for help over the years, if he even survived that long.
        Also, assuming that Jason DID survive, and grow up, how did he become trained as a Navy, master the art of walking like a ninja  huaieio, because he teletransports and is silent as well, unless its to be scary then he walks like a dinosaur .

      Ahhhhh, oh well, it had some good kills, and i’ll probably go see it again because I’m just as retarded as Jason.